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20 de mar de 2017

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ 9 - NETH BRAZÃO

Nota:
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, em intervalos de 15 em 15 dias (mais ou menos!), neste blog, o maior número possível de novos poetas.
Esclarecemos que aqui não fazemos juízo de valor nem apreciação crítica (apenas a divulgação!), mas é livre os comentários e opiniões dos nossos leitores e internautas, desde que pertinentes e referentes aos textos -- e não ofensivos, é claro.
O conteúdo, revisão ortográfica e gramatical dos textos são de inteira responsabilidade dos seus autores, bem como o copyright.


                                   Aguarde para breve mais um novo poeta!

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NETH BRAZÃO é professora do quadro estadual do Governo do Amapá, graduada em artes visuais pela UNIFAP e pós-graduando em Docência do Ensino Superior, Português e Literatura e Neuropsicopedagogia, com alguns poemas publicados em três coletâneas poéticas, participa de grupos e saraus e deu seus primeiros passos na literatura amapaense produzindo poemas como estes que publicamos agora — como parte deste projeto de realizar uma amostra dos autores que iniciaram a trajetória em anos recentes e buscam seu espaço, seja através de blogs, redes sociais, espetáculos ou em publicações impressas. 
Seja bem-vinda, Neth Brazão!



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INSTANTE

Uma taça de vinho
Um caderno de rabiscos
Uma música de fundo
E um sonho mal desenhado.
Um amor engaiolado
Uma mentira mal embrulhada
Uma vela sem chama
E um coração despedaçado.
Duas taças de vinho
Folhas rabiscadas
Música sem sentido
E um sonho apagado.
Um amor que voou pra longe
Uma mentira escancarada
Uma vela derretida
Folhas todas molhadas.

ELOQUÊNCIA

Por que não me levas
Em teus pensamentos
Com a mesma intensidade
Que ficaste nos meus?
Ainda pinto a boca de vermelho
Só para o meu desejo
Provocar o teu
E deixo-me solta esperando
Tua chegada...
Chegada que tarda a acontecer.
Então vem!
Há uma chama esperando
Faça-me tua!



 NOSTALGIA

Espero o dia chegar,
O que me trará teu sorriso,
E ao ouvir a tua voz
Saberei que a dor se foi
Então me abrigarei em seus braços
E descansarei meu amor.
O sol entrará pela janela,
Eu já a abrir há tempo
E em cada raio de luz
Tua presença invadirá
Meu céu que de cinzas
Ficará azul,
E... eu me farei tua!
Não demores a vir!
Não suporto mais a tua ausência,
Estou definhando em saudades
De coisas que ainda nem vivi.



ROMARIAS

Possuías vitrines de um amor
Sem terra ou céu,
Em tenebrosas passarelas caídas
Que as cobre de pensamentos
De um tempo superficial.
Sonhos despidos de vida,
Em possuir o almejado
Que para longe partiu.
Tétrico fim do que nunca foi verdade
Além do inspirar;
Sonhar;
Querer...
Amar, além de um casulo
É ousar...
É jogar-se no desconhecido
Sem saber se vai cair:
Em braços;
Ombro;
Ou solidão...
Seguir em romarias calhadas
Buscando o impossível, o amor.

...
Meu querer ignorado
De me deitar ao seu lado
E sem palavras me deixar
Jorrar os litros que me sufocam o peito.
Tem tanto de sonhos quebrados cortando os meus pés.
Não sei como ir além,
Não sei sair daqui...
A noite é pétrea
Me desola a alma
Me jogando nos braços da solidão.





(DES) PALAVRANDO

Essa mórbida saudade
Com o cheiro da tua pele,
Me discípula a sentir
Em fragmentados segundos
O gosto embriagante da tua quente boca.
Chega a ser masoquista a lembrança
Do último tom da voz,
Ainda assim a quero lembrar.
Quero revirar os dias de contentamento
Só para te ver nas sombras cinzas
Do melhor azul esculpido nas tardes
Dos dias qualquer.
Então me propus a te recriar em obras
Abstratas no silencio,
E no pulsar mais quente do meu peito
Te fundi.
E nos espelhos da minha vida
Vejo muito mais de ti
No meu viver desconstruído,
Esvoaçado pela paixão.



POETIZANDO

Minha poesia tem de tudo
De uma alma vazia,
Lacrada no muro,
Per posta ao tempo de lá.
Minha poesia se funde
Na eloquência da noite
Chorosa a sorri,
Se monta na lua, se lança ali.
Minha poesia te beija
No silencio malandro
Da nega perfumada
Que rebola no cais.
Corre estradas sem destino
Se reinventa no tempo
E reo
Torna ao amor
Que a fez existir.



SOMBRA

As margens da estrada de chão
Desaparecem no inóspito neblinar
Que se firma no momento,
Mal se pode ver apenas sentir.
Sinto você se aproximando em vento
Forte, arrasador que domina o espaço
Interno que luta para dissipar o medo,
O medo da escuridão...
Tendo o frio como cobertor,
Aumenta a fala do que um dia se fez
Corpo,
O amor.
Envolvo-me em meus braços
Estão vazios não encontraram você.
... ao meu lado resta minha sombra,
Eu sou o que sobrou de ti.

 
Neth Brazão com artistas e outros poetas
em evento na Praça Veiga Cabral - Macapá - AP


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Contatos com a autora:

https://www.facebook.com/ilnete.rabelo

(96) 99106 6258








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