15/02/2012

UM ARTISTA MULTIFACETADO NA AMAZÔNIA

Republicação

 A Associação Amapaense de Escritores, Clube dos Poetas, Grupo Universo, Grupos Abeporá das Palavras e Tatamirô, Associação Amapaense de Folclore, Confraria Tucuju, amigos e família rendem as justas homenagens a um dos nossos maiores e mais completos artistas, que aniversaria neste dia 15 de fevereiro. Vida longa e produtiva a este cidadão brasileiro que tanto honra a todos nós.



Artista de múltiplas facetas, consciente do seu fazer poético, um criador que sabe manusear os vocábulos com maestria e compor poemas marcantes, verdadeiras obras de arte, frutos de uma mente talentosa. Temos o maior orgulho de conviver com um artista dessa magnitude, que atingiu um nível literário admirável, igualando-se aos grandes nomes da literatura universal. É uma dádiva ter ele escolhido a nossa terra para daqui enviar seu canto belo e denso, cheio de sutilezas que engrandecem a poesia. Acompanho com atenção o seu modus operandi, seu processo criativo, a sua incansável busca pelo perfeccionismo, visando construir um texto que atenda ao seu exigente senso crítico.
Manoel Bispo Corrêa nasceu em Belém do Pará no dia 15 de fevereiro de 1945, filho de Paulo Roberto Corrêa (Mestre Paulo) e Maria Bispo Corrêa. Ainda criança a família se mudou para o Amapá. É artista plástico, professor, poeta e compositor. Fez seus primeiros estudos na antiga Base Aérea do município do Amapá. Em 1954 mudou-se para a capital do Território, Macapá, onde estudou em vários colégios (Alexandre Vaz Tavares, Azevedo Costa e Colégio Amapaense). Começou a pintar e a escrever aos 16 anos de idade. Estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. Exerceu, dentre outros cargos, o de presidente da Fundação Estadual de Cultura- Fundecap, Conselheiro de Cultura durante muitos anos, diretor da Escola de Arte Cândido Portinari e sempre foi um participante ativo dos movimentos artísticos e culturais do Estado, cuja trajetória é um observador perspicaz, lúcido e com uma visão privilegiada.


A versatilidade do seu talento também o faz um compositor que já criou centenas de músicas e gravou dois CDs que demonstram, nas letras, a linguagem poética mesclada com ritmos e harmonias que encantam. Ele fez parte do coral da Escola de Música Walkíria Lima e já participou de várias excursões noutros estados.

Como poeta que vem buscando aprimorar cada vez mais sua arte, é um incansável trabalhador da palavra e dono de um estilo inconfundível, cheio de metáforas e de musicalidade, onde o ritmo dos versos é bastante perceptível. Seus poemas são escritos numa linguagem que prima pela objetividade e as imagens demonstram seu conhecimento da música e das artes plásticas. Já no conteúdo, o poeta reflete sobre as grandes indagações do ser humano, fala do amor e dos sentimentos e contradições que nos acompanham pela vida. O lirismo, expresso numa linguagem agradável e bem cuidada, faz com que sua obra poética alcance um nível elevado e situa-se entre as mais importantes da produção poética nacional.



Sobre Manoel Bispo, colhemos os seguintes comentários:

 

"E Bispo nos oferece agora Intátil, uma negação do real, mas também uma exposição de metáforas onde permeiam o onírico e o ideário possivelmente sobre um segredo a ser revelado numa tarde de temporal amazônico.” (Fernando Canto)



 
 “Por tudo que representa para a arte, quer como poeta ou artista plástico, Manoel Bispo transcende todo e qualquer conceito que possa ser estabelecido para definir um artista”. (Renivaldo Costa).



“Há na obra do Bispo uma perfeita harmonia entre a técnica objetiva e a subjetividade da captação transcendental, chegando mesmo a radicalizar”. (Luiz Alberto Costa Guedes)






“É quase lugar-comum dizer que Manoel Bispo é para a poesia um artista plástico. Mas é impossível não reparar os tons vermelhos dos seus versos, as linhas expressivas de suas metáforas, a paisagem singela que suas palavras vão desenhando.
Virados do avesso, seus poemas são quadros que esmiúçam os instantes, apontando-lhes as sutis belezas”. (Elíude Viana)




Manoel Bispo já publicou os seguintes livros de poemas: Cristais das Horas (1978); Mental Real (1986); Canto dos meus Cantares (1990); Intátil (2002) ); Amostra Grátis (2004), poemas,Tarso Editora, edição artesanal) e Palavras de Festim (poemas, 2007) e participou das antologias Coletânea Amapaense (1988); Coletânea de Poesias Poetas do Meio do Mundo (2009); Coletânea de Contos - Contistas do Meio do Mundo (2010), sendo que coordenou e organizou estas duas e está coordenando mais duas coletâneas: uma de crônica e mais uma de poesias.

  • Contatos com o autor: (96) 3224 2936 e 9981 3571



3 POEMAS DE MANOEL BISPO CORRÊA


MEU CANTO

meu canto existirá
porque para os pés sacrificados
ainda existe um caminho.
meu canto existirá
porque o pássaro é liberto
apesar dos muros e dos homens.
a rosa, o perfume,
a criança, o sorriso e a luz
sempre estarão no meu canto.

ele será como um trigal maduro,
simples e significativo,
e existirá por esta multidão
de coisas que me cercam.
meu canto existirá apesar de mim.


ENSAIO



aquele que não plantou

a humílima semente da ternura

e não ousou o lirismo do existir

nem do amor buscou as doidas fantasias,

aquele que não soube que o verde

é um milagre vivo

e o azul uma canção do céu,

não terá memórias de hoje

nem saberá ao certo se viveu.



DO SER METADES



Em nós um estado de coisas a lamentar,

um emprego temporariamente nosso arrimo,

uma gravata lilás apertando o pescoço,

uma vertente do Rio-Mar a nos afogar.

Metade do tempo nos resta, é certeza,

metade nos falta um dia para desencantar,

uma quadra apenas nos separa os sentidos

do que realmente nos importaria o saber.

Metade do rio é travessia, a outra, naufrágio,

metade do dia presente é noite fechada,

metade da noite assombrada é manhã de sol.

Metade de nós dá leitinho pro gato vadio,

dá comida aos mendigos na palma da mão,

a outra metade apedreja o vitral do vizinho

faz e desacontece, vai além da exaustão.

Metade de nós se muitíssimo feliz,

a outra metade se atira no fundo do abismo,

em nós o enorme contraste da vida e da cor,

metade do sonho, em verdade, não se realizou.




10/02/2012

PROFESSOR MUNHOZ AOS 80 ANOS: CIDADÃO DO MUNDO

Publicamos abaixo a belíssima carta-poema que o nosso confrade Benedito de Queiroz Alcântara, do grupo Abeporá das Palavras escreveu sobre o professor Munhoz, ao mesmo tempo em que republicamos uma postagem que fizemos ano passado, também em homenagem ao nosso Mestre. Tudo isso para registrar e externar a nossa gratidão a esse ser humano tão especial.
Em comemoração aos 80 anos do professor Munhoz, no dia 10-02, 6ª, um pequena homenagem ao Mestre.
ANTES QUE EXPULSEM DA SALA A MEMÓRIA DA GRATIDÃO
 
CARÍSSIMO PROFESSOR MUNHOZ,

Antes que minha memória seja abduzida para um poço sem fim
Antes que meu coração seja empedrado pelas fúteis vaidades
Antes que minha língua endureça num silêncio forjado
Antes que revisem minha trajetória existencial
Antes que meus olhos não possam mais te identificar
Antes que arranquem meus braços, minhas mãos, meu ...
sorriso.

Antes que não possas mais caminhar silenciosamente pelas ruas de Macapá


Prof. Munhoz caminhando sobre a calçada da residência governamental,
no Centro de Macapá. Maio/2011. Foto: Paulo Tarso Barros

Antes que não possas mais adentrar nas liturgias da Catedral de S. José
Antes que não possas mais proclamar as crônicas das tuas andanças
Antes que não possas mais comentar e questionar a vida humana
Antes que não possas mais explodir em saborosas gargalhadas
Antes que não possas mais banquetear-se com nossas comidas típicas.

Antes que te expulsem de qualquer sala
Antes que te esqueçam hipocritamente em uma solenidade
Antes que te forcem a voltar para a terra paraoara
Antes que tirem da lista de convidados de uma formatura
Antes que te olvidem dos eventos culturais
Antes que te chamem de ultrapassado e fora de moda.

Antes que...
Antes de tudo isso...

Permita professor querido, proclamar ao mundo, deixar registrado, como testemunho sincero de um ex-aluno do tempo do Colégio Amapaense, anos 1977-1978-1979, hoje um ser calejado, com filhos e trajetórias, professor de cada dia, agradecer imensamente porque Deus permitiu que um anjo seu viesse em nosso auxílio, deixar indeléveis marcas em nosso caráter, em nossa formação, em nossa visão de mundo e sociedade.

Quero testemunhar que, se hoje estou em sala, foi por causa sim de sua impetuosidade em nos ensinar a Língua Portuguesa e Literatura, como uma verdadeira viagem pelos quatro cantos do mundo, levando-me, imberbe jovem, a optar pela cátedra de história, com o sonho de trilhar as veredas dos lugares e adentrar nas facetas humanas de cada paragem.

Terno Mestre, não tinha como faltar às suas aulas, não tinha como não aproveitar cada minuto, não tinha como estudar por estudar, pois nos atiçavas para abraçar as aventuras da vida que a maturidade nos reservava.

No tosco espaço da sala de aula, ciceroneaste nossa curiosidade pelos diversos países, seduzindo-nos para os continentes, os povos e seus costumes, tudo aquilo que de mais belo e singelo o ser humano é capaz de construir.

Enfim, lá fomos nós para o chamado nível superior, sem cursinhos ou meros desafios, apenas com o que comemos e bebemos contigo e outros mestres. Era hora de partir, deixar a terrinha, deixar a família, adentrar nos mares nunca dantes navegados (por nós), não mais como expectadores e sim como atores principais.

Atravessei o Brasil, para o Sul distante e diferente. Depois para o Rio de Janeiro, dantesco e acolhedor. Mais tarde para a América Central, na Nicarágua querida. Até que, com a morte do meu pai Leandro, lá estava em missão por El Salvador e Guatemala, entre os fuzis e helicópteros da guerra maldita, larguei tudo e voltei para os meus, mais precisamente para ficar com minha mãezinha Maria até os seus últimos dias.

E por aqui fiquei, casei, vieram os filhos, sempre estudando, sempre peregrinando em sala de aula, envolvido em tantas atividades. E com o privilégio de te encontrar, na maioria das vezes, em nossas ruas e avenidas. E lá ficávamos a conversar, com o tempo parando para nós e correndo para quem nos acompanhava.

Assim vamos atravessando os sertões de nossas existências, eu também já trazendo meus cabelos brancos, que um dia espero que fiquem como os seus : cálidos e misteriosos.

Permaneço com a tenacidade de a cada dia adentrar nas salas de aula, desde a 5ª série até o Ensino Superior. E sempre, sempre, a cada ano, a cada período letivo, citar teu nome para os que hoje me chamam de professor. Recordando cada aula, cada narrativa de suas viagens, cada comentário, que se alojaram dentro de meu coração e que lá permanecerão ad aeternum.

Professor querido, em nome de toda a minha família de irmãos e irmãs que também foram teus alunos, em nome de todos os colegas de todas as turmas do “Colégio Padrão”, quero externar nosso sincero e singelo agradecimento por teres adentrado em nossa formação, em nossas vidas.

Professor querido, valeu e vale demais saber que tu vieste e permaneceste no meio de nós, desde ontem e para sempre, franciscanamente único-total-puro-universal. Tão absorto em suas meditações, tão generoso em suas reflexões, tão de tantos rostos e lugares e, maravilhosamente, tão nosso !

Neste dia, dedicado ao professor, antes que tudo desapareça ou desabe, ou que tudo possa ser mudado e esquecido, que eu possa registrar e proclamar, ao Mestre, com carinho, ao querido Professor Antônio Munhoz Lopes : VALEU !

Macapá, 15 de Outubro de 2008.

Benedito de Queiroz Alcântara
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PROFESSOR MUNHOZ: 80 ANOS DE VIDA - 53 ANOS DEDICADOS AO AMAPÁ

Antônio Munhoz Lópes nasceu no dia 10 de fevereiro de 1932, em Belém-PA. Filho de José Ayres Lópes e Izabel Munhoz Lópes. Chegou a cursar filosofia, foi seminarista, mas acabou bacharelando-se em Direito. Chegou ao Amapá em 1959 e ingressou no funcionalismo do Território, ocupando o cargo de delegado no antigo DOPS. Mas, como escreveu o cônego Ápio Campos no jornal A Província do Pará, Munhoz emprestou à pacata segurança pública da época "um clima de cenáculo literário". Mas foi a partir de 1960 que ele deu início a uma das mais profícuas e brilhantes carreiras do magistério do antigo Território, sendo hoje reconhecido como mestre de várias gerações de ilustres figuras de destaque do Amapá.
Antônio Munhoz Lópes exerceu inúmeros cargos e funções importantes, sempre se destacando pela inteligência, a sensibilidade e o carisma. Até hoje é o nosso maior epistológrafo, pois se corresponde pelo velho e bom Correio com pessoas do mundo inteiro. Anualmente, o professor Munhoz faz uma viagem internacional e visita museus, igrejas, monumentos históricos. Foi assim que adquiriu uma cultura humanística invejável. Tornou-se um verdadeiro globe-trotter, cujas memórias há muito são aguardadas por todos nós.
Felizmente, o professor Munhoz tem recebido, em vida, todo o carinho e reconhecimento pelo seu desempenho magistral em todas as funções públicas que exerceu, principalmente como educador e incentivador das Letras e das Artes. Por muittos anos foi membro do Conselho de Cultura, debatendo e formulando ideias, sugerindo ações por parte dos gestores culturais. É um dos mais assíduos frequentadores de eventos artísticos e culturais, ao lado da sua amiga, professora Zaide Soledade.
A figura simpática e respeitável do professor Munhoz já faz parte da paisagem urbana do Centro de Macapá, em suas caminhadas diárias visitando a Biblioteca, Confraria Tucuju, livrarias, bancas de jornais, agência dos Correios (onde possui uma das mais antigas caixas postais!).

Parabéns, professor Munhoz, e o nosso muito obrigado pelo legado educacional e cultural que tem deixado ao Amapá.

Texto: Paulo Tarso Barros - http://twitter.com/paulotbarros



Abaixo, o poema que Alcy Araújo dedicou ao Mestre:

JARDIM, PODE 



(Ao cidadão do mundo Antônio Munhoz)



Como tenho sido pisado
espezinhado, espinhado, repisado
pela vida, pelos desencantos
e desesperos, angústias, desamores.


Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados
também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia


Quando eu morrer
alguma vereador
que leu ou sentiu meu verso
que sabe ou ouviu falar do meu cantar
apresentará projeto de lei
para que eu vire beco, rua ou avenida


Não quero esta homenagem
Recuso até ser praça
alameda, assim também parque ou estrada
Quero ser um teatro
um obelisco, uma escola
Academia, também não.

Rua, avenida, beco, não quero não
Não quero que continuem pisando em mim.
Pisar em mim,
só se eu virar jardim.




Leia a biografia completa do professor Munhoz baixando a obra "Personagens Ilustres do Amapá", de Coaracy Barbosa. Clique aqui para baixar

17/12/2011

REALIZADO O SEMINÁRIO CONSTRUINDO O PROGRAMA DE LITERATURA DO AMAPÁ

Caros colegas escritores,

No dia 16 de dezembro, o Governo do Estado do Amapá, através da Escola de Administração Pública –EAP, realizou um Seminário denominado Construindo o Programa de Literatura do Amapá, cujo objetivo, segundo o folder do evento foi “possibilitar o diálogo e a troca de experiência entre os atores envolvidos nessa temática, a fim de subsidiar a elaboração de um programa que venha contribuir para o fortalecimento e a visibilidade das ações da cultura literária desenvolvida no Estado”. Estiveram presentes ao evento o Secretário de Cultura José Miguel; representante da Associação dos Prefeitos; Gerente do Programa do Livro Didático e do Proler da Seed; representante do Conselho de Cultura, Osvaldo Simões; diretora da EAP e a Sra. Claudia Camargo, primeira-dama do Estado e a pessoa que incentivou e mobilizou os agentes públicos e representantes das entidades para a realização desse primeiro encontro.
A professora, escritora e mediadora de leitura Benita Prieto fez uma palestra sobre como estimular o hábito de leitura entre alunos e comunidade.
Benita Prieto


Na programação, discutiram-se propostas para atender aos 4 Eixos Norteadores do Plano nacional do Livro e Leitura - PNLL [1], - é importante que se obtenham mais informações sobre o Programa neste site: http://189.14.105.211/conteudo/c00013/O_que_e_o_PNLL.aspx - definidos pelos Ministérios da Cultura e da Educação, que são: 1) Democratização do acesso à leitura; 2)Fomento à Literatura e à formação de mediadores; 3) Valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico; e 4) Desenvolvimento da economia do livro.


Participaram, além de representantes dos órgãos públicos estaduais (Seed, Secult, Seafro, Eap, Seplan, Biblioteca Pública), livreiros, escritores, poetas, professores, mediadores de leitura, entidades literárias, que se reuniram separadamente, em 4 grupos de acordo com os eixos temáticos e formularam várias ideias e sugestões, sendo muitas convergentes, como é o caso da Feira de Livros do Amapá – um anseio de todos.
[1]“O Plano Nacional do Livro e Leitura— PNLL — é um conjunto de projetos, programas, atividades e eventos na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas em desenvolvimento no país, empreendidos pelo Estado (em âmbito federal, estadual e municipal) e pela sociedade. A prioridade do PNLL é transformar a qualidade da capacidade leitora do Brasil e trazer a leitura para o dia-a-dia do brasileiro."
Escritora Lulih Rojanski, Gerente da Biblioteca Estadual Elcy Lacerda (dir)

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NA ÁREA QUE NOS DIZ RESPEITO, SINTETICAMENTE FORAM ESTAS AS SUGESTÕES:

Feira de Livros; fortalecimento das Bibliotecas Públicas, inclusive em todos os municípios, com ampliação, renovação e modernização dos acervos em todos os suportes; fomento à produção e distribuição de livros; apoio e fortalecimento aos grupos e associações literárias; inserção de escritores em programações oficiais; capacitação de mediadores de leitura; implantação de editais para publicação; criação de novos espaços alternativos de leitura; fortalecimento das salas de leitura nas escolas; presença de escritores nas escolas e demais eventos literários; aquisição de obras selecionadas pelo Governo; cessão de um local para abrigar as entidades etc.

Nosso próximo passo agora é reunir um grupo de autores para receber o relatório produzido pela EAP com todas as ideias e sugestões apresentadas e produzir um texto consistente com a descrição das propostas para a formulação de um Plano de Ação, o que deve ocorrer na segunda semana de janeiro de 2012.

Pela manhã, antes das discussões, entreguei, em nome da APES e acredito que também no de todos os militantes literários, aos representantes dos órgãos públicos envolvidos no evento o seguinte documento – que praticamente enumerava quase todas as sugestões discutidas posteriormente e que são do nosso conhecimento, pois se constituem em anseios antigos que fazem parte das nossas reivindicações permanentes – outras sugestões devem ser enviadas para enriquecer o debate.
Professsor Manoel Azevedo e escritor Fernando Canto


SUGESTÕES PARA ESTIMULAR A PRODUÇÃO

E CIRCULAÇÃO DE LIVROS E INCENTIVAR A LEITURA

Apresentadas ao

“Seminário Construindo o Programa de Literatura do Amapá”

Promovido pelo Governo do Estado, através da EAP



- Parceria com a SEED e SECULT no sentido de incentivar a produção de obras dos autores locais, que seriam selecionadas para publicação e distribuição à rede de escolas, universidades e bibliotecas públicas através de editais, que normatizariam o conteúdo desses livros baseados nos critérios adotados pelo Governo Federal e seus órgãos.  

- Dentre as obras selecionadas e publicadas, parte da edição seria adquirida pelo GEA para distribuição nas escolas, universidades, bibliotecas públicas e outros espaços de leitura – e também enviadas para bibliotecas interestaduais através de intercâmbio.  

- As obras seriam preparadas, revisadas e impressas dentro dos padrões gráficos, editoriais e ortográficos – com ficha catalográfica, código de ISBN e código de barras, e não mais de maneira artesanal. 

- Instituir programas e projetos que facilitem visitas programadas de escritores às escolas em todos os municípios, e que os mesmos recebam ajuda de custo compatível por essa atividade, que seria considerada de grande valor educacional e cultural. 

- Organização de uma bienal do livro nos moldes das que são realizadas em muitos locais do país onde o autor local e o das demais capitais da região Norte teriam espaço adequado. 

- Promover, através de convênios, a tradução de obras de autores locais e sua distribuição.

- Dar condições para que os autores possam viajar e manter intercâmbios com outros escritores participem de feiras, festivais literários, seminários e outros eventos da área editorial, tanto dentro como fora do país. 

- Patrocinar oficinas de criação literária através de profissionais da área que também poderiam ministrar cursos e palestras para desenvolver e aprimorar a criatividade dos autores, aprendizado de técnicas de escrita etc. 

- Instituir, tanto em âmbito municipal como estadual, prêmios literários e concursos que seriam concedidos aos autores que se destacassem, avaliados por comissão de professores e jornalistas e outros profissionais. 

- Reeditar obras de autores locais que se encontram esgotadas ou ainda inéditas que sejam consideradas de relevante valor.

- Cessão de um local adequado para servir de sede às entidades e grupos literários. 

- Criação de espaços, em cada escola da rede pública, para montar uma seção com autores locais e dos demais estados da Amazônia. 

- Treinamento e capacitação de professores de LP e Literatura para que trabalhem de modo adequado com os textos produzidos aqui no Amapá. 

- Inserir na grade curricular A História, Geografia e as Artes e a Cultura, principalmente a Literatura produzida no Amapá. 

- Subsidiar a comercialização de livros em bancas, livrarias, papelarias, pontos turísticos e demais locais apropriados para que todos possam ter acesso às obras. 

 - Inserção de escritores e poetas nas programações oficiais do GEA em que apenas são contratados os músicos e outros artistas, bem como incluir livros de autores locais entre os souvenirs distribuídos tanto a visitantes oficiais como nas visitas de autoridades a outros estados.  

Macapá – AP, 16 de dezembro de 2011

Paulo Tarso Barros
3242 1073 – 9965 6570 – 9129 9867



29/11/2011

CÉSAR BERNARDO DE SOUZA LANÇA LIVRO DE CONTOS

Foi lançado no dia 28 de novembro de 2011, no hall da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, a obra Mestre Açaizeiro, de César Bernardo de Souza.

O livro reúne duas histórias cuja ambientação é o Estado do Amapá. A junção destas duas fábulas com certeza vai ao encontro de uma necessidade dos nossos estudantes e professores de tomar contato com uma produção literária de cunho ficcional que tem tudo a ver com a nossa realidade amazônica - realidade tão bem conhecida pelo autor e que desperta sempre o interesse de pessoas do mundo inteiro, ávidas em conhecer a fabulosa biodiversidade que nos torna um povo rico, mas de imensa responsabilidade para cuidar desse patrimônio. Acredito que esse livro se tornará uma leitura instigante e presente em nossas escolas, suscitando debates, reflexões e também proporcionando aquele prazer que as boas e gostosas histórias tão bem deixam em nosso espírito.

Escritores, professores, políticos, amigos e familiares estiveram presentes ao evento que marca um momento crucial na vida do professor, jornalista e escritor César Bernardo de Souza.

Uma exposição de quadros do artista plástico Herivelto Maciel, a maioria dos quais com temática amazônica, também foi aberta durante o evento.

(Texto e fotos: Paulo Tarso Barros)






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Contatos com o autor:
(96) 9148 4660
E-mail: cesarbernardosouza@bol.com.br