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7 de nov de 2017

RUY GUARANY NEVES - O HOMEM DA FRONTEIRA

MORRE EM SÃO PAULO, AOS 87 ANOS, RUY GUARANY NEVES, O DECANO DO JORNALISMO AMAPAENSE

Faleceu no dia 7 de novembro de 2017, por volta das 16h, em São José dos Campos - SP, o jornalista e um dos pioneiros das comunicações no Amapá Ruy Guarany Neves, aos 87 anos. Ele fazia tratamento de câncer. Ele fazia parte da Associação Amapaense de Escritores - Apes.



Ruy Guarany Neves, jornalista com milhares de artigos e crônicas publicados, funcionário público aposentado, natural de Clevelândia do Norte, município de Oiapoque – AP, nasceu no dia 3 de agosto de 1930. Publicou as obras O Homem da Fronteira (crônicas e histórias, 2005) e A Missão de Comunicar (Scortecci, 2015).
O primeiro livro publicado (2005)
Da mesma geração de seu parente e conterrâneo Hélio Guarany de Souza Pennafort (1938-2001), também jornalista e “estoriador” dos caboclos do Amapá, Ruy Guarany vem escrevendo e publicando na imprensa amapaense muitos artigos e crônicas da maior importância — não apenas analisando os fatos políticos locais, mas fazendo a contextualização com a intrincada política nacional. Observador atento, analista sagaz e de uma elegância em seu estilo, Ruy se diferencia da maioria dos colegas jornalistas por não ofender nem elogiar gratuitamente quem quer que seja. Sua atuação sempre teve o respeito dos leitores e dos políticos pelo conteúdo substancial das análises que ele habilmente traçava dos acontecimentos marcantes.
Lançado no dia 18 de junho de 2015
na Biblioteca Pública Elcy Lacerda

Sua obra A Missão de Comunicar documenta essa trajetória brilhante de um homem que soube extrair das notícias elementos que ficarão no registro da memória da imprensa do Amapá.









Orelhas e 4ª capa do livro
* * * * * * * * * * * * * *

Registro fotográfico do lançamento da obra 
A Missão de Comunicar, dia 18/06/2015, 

O Autor doando 3 exemplares para a Biblioteca


Presentes, dentre outros,  o professor e historiador Nilson Montoril de Araújo, professor Antônio Munhoz, escritores Rostan Martins, Fernando Canto, César Bernardo de Souza, Osvaldo Simões, jornalistas Édy Prado e Graça Penafort, presidente da Confraria Tucuju Telma Costa, além dos familiares do autor. O pioneiro Leonel Nascimento,ex-prefeito do município de Amapá, espontaneamente pediu a palavra e homenageou o autor relembrando a trajetória de luta nos primórdios do Território do Amapá.


 (Fotos: Paulo Tarso Barros e Alessandro Cardoso)
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INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS


Por Sandra Regina Smith Neves


Ruy Neves (Foto: Paulo Tarso Barros -abril-2013)


Numa manhã ensolarada do mês de agosto, em Clevelândia do Norte, Oiapoque, às 11 horas do dia 03 agosto do ano de 1930, nasceu Ruy, filho de Cezarina Guarany Neves e Manoel Cavalcanti Neves. Nasceu em casa, localizada à beira do rio Oiapoque, de cujas janelas se avistava o lado francês e se ouvia o canto do Uirapuru. Criado por sua mãe, de quem herdou a docilidade, e por seu avô materno, Fernando Guarany, a quem todos carinhosamente chamavam de Pai Velho, concluiu as primeiras séries do curso primário na escola pública da vila do Espírito Santo do Oiapoque. Aos 16 anos transferiu-se para Macapá a fim de cursar o ginásio, mas a necessidade de trabalhar o obrigou a concluir o 2º grau muito tempo depois. Aos 50 anos, fez o curso profissionalizante de técnico em Telecomunicações, em nível de 2º grau, através do Ensino Supletivo, com registro no Crea-Pará. Aos 18 anos inicia a sua carreira no serviço público do ex-Território Federal do Amapá como radiotelegrafista. Atuou como noticiarista na recepção de notícias telegráficas para divulgação na Rádio Difusora de Macapá. Autodidata, apaixonado por telecomunicações, e dono de uma inteligência peculiar responsável pelo seu apurado senso de humor, fez desse humor inigualável uma arma contra as agruras da vida, jamais esquecendo, no entanto, de colocá-lo contra as injustiças e a favor da alegria - e acima de tudo - da liberdade de pensamento. No período de 1965 a 1982 exerceu o cargo de superintendente de telecomunicações do Amapá. Autor do Plano de Telecomunicações do Governo do Território,Telefonia em Banda Lateral Singela, presidiu o grupo de trabalho que estudou a viabilidade da televisão em Macapá. Representou o Amapá no I Congresso Brasileiro de Telecomunicações, realizado no Rio de Janeiro, em junho de 1966. Representou o Território no II Congresso Brasileiro de Telecomunicações, realizado em São Paulo, em julho de 1967. Dirigiu os serviços de implantação do sistema de telecomunicações da Universidade Federal de Alagoas (1974). Dirigiu os serviços de instalação do sistema de telecomunicações da Polícia Federal, em São Luís, Belém e Macapá. Em 1972 instalou o serviço de telecomunicações do Incra, na Transamazônica. Em 1974 participou da equipe de técnicos da Maxuel incumbida de instalar a estação geradora de TV, adquirida pelo governo do ex-Território. Como servidor público, frequentou os cursos de telecomunicações por ondas portadoras, Inbelsa, São Paulo; telecomunicações em portadora reduzida, Intraco, São Paulo; telecomunicações em propagação horizontal, Motorola, São Paulo; organização de sistemas, Entel, Rio de Janeiro; especialização em administração profissional, Instituto de Pesquisas Rodoviárias, Ministério dos Transportes, ministrado em Macapá. Em 1959 frequentou o curso de pilotagem no Aeroclube de Macapá. Foi radioamador classe “A”, filiado à RNR (Rede Nacional de Rádio). Em 1985 presidiu a seccional da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão, no Amapá. Aposentou-se aos 54 anos. A partir daí, passou a dedicar-se ao jornalismo, tendência que se verificara desde a infância, quando estudante da escola pública em Oiapoque, ao escrever uma crítica à professora, por não concordar com o uso da palmatória nas sabatinas de tabuada. A primeira participação na imprensa aconteceu na década de 1950, no jornal A Notícia. Como articulista do Jornal Amapá, de propriedade do governo do Território, publicou artigos abordando aspectos técnicos relacionados às telecomunicações. De 1993 a 1995 atuou como articulista do Jornal do Dia. Em 1996, passou a atuar no jornal Diário do Amapá, onde permanece até hoje. Além de articulista, durante dois anos assinou a coluna Dito Popular. Por sua atividade jornalística, recebeu o título de Cidadão de Macapá, conferido pela Câmara de Vereadores e dois títulos conferidos pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, 1995/1996. No livro “Colunistas Brasileiros”, seu nome é destacado entre os melhores formadores de opinião do país. Seus artigos e crônicas tem no humor sua principal característica. Humor mordaz e aguçado que pode possibilitar aos leitores rir da própria história e assim acatar, se necessário, a continuidade salutar da vida. Desde muito jovem percebeu no humor a principal arma para dizer o que deve ser dito, criticar o que deve ser criticado e viver, assim, o que precisa ser vivido. Sempre de forma alegre e doce, o fazer rir é a sua forma de permanecer vivo, sem esquecer dos muitos amigos, parentes e de sua família, sua companheira Regina Smith, sua irmã Lia, seus filhos Sandra, Ruy, Ana Célia, Socorro, Paulo, Fernando e Natasha; seus netos Fernanda, Gustavo, Hanah, Rodrigo, Roberta, Valéria, Victor e Felipe; seu genro Marcos e suas noras Maribel, Margareth e Dayse. Aos 77 anos, detentor de boa visão, costuma dizer que ainda não tem idade para usar óculos. Quando lhe perguntam por que o seu casamento deu certo, sempre responde: “É porque tudo começou no arraial de São José”. Avesso à formação de comissões, costuma dizer que, quando se forma uma comissão para debater determinado assunto, é porque não se quer resolver absolutamente nada. Essa é a forma que encontra de viver sempre, e cada vez mais, o riso da vida e a vida do riso, com uma dose extra de humor. Que o Uirapuru cante cada vez mais alto e forte.


Texto:  Sandra Regina Smith Neves

1 de out de 2017

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ - 11 - PAULO DE TARSO GURGEL


Nota:
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, em intervalos de 15 em 15 dias (mais ou menos!), neste blog, o maior número possível de novos poetas.
Esclarecemos que aqui não fazemos juízo de valor nem apreciação crítica (apenas a divulgação!), mas é livre os comentários e opiniões dos nossos leitores e internautas, desde que pertinentes e referentes aos textos -- e não ofensivos, é claro.
O conteúdo, revisão ortográfica e gramatical dos textos são de inteira responsabilidade dos seus autores, bem como o copyright.


                                   Aguarde para breve mais um novo poeta!   

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PAULO DE TARSO GURGEL

Nasceu em Caraúbas - RN em 23 de dezembro de 1952, mas a 25 de julho de 1954 chegava a Macapá com os pais Raimundo e Blandina Gurgel Praxedes.
Estudou no grupo escolar Barão do Rio Branco, IETA e Colégio Amapaense.
Formado em História e Turismo pela Universidade Federal do Pará.
Sua primeira poesia foi “Por quem choram as crianças do Haiti?”, de janeiro de 2010, na época do terremoto naquele país.
Descobriu essa arte já na maturidade e frequentemente publica textos no seu perfil de Facebook. Paulo Gurgel é professor com vasta experiência e desenvolveu muitas atividades no setor de turismo no Amapá.
Agora, deixa sua contribuição a este Blog na Série Novos Poetas do Amapá!





Contatos com o autor:



Poemas de Paulo de Tarso Gurgel:

A CASA DO REINO CELESTIAL

Juntos, isto mesmo, bem juntinhos
Caminhávamos como dois anjinhos
Numa aprazível estrada do amor
Que eu mandara construir
Para as nossas andanças
De uma paixão de cada dia
Das nossas eternas e doces lembranças
Percorríamos, livremente
Numa florida e perfumada
Estrada de pétalas e de flores
Eu e você, minha eterna namorada
Violetas, margaridas e bem-me-quer
Com as orquídeas, rosas púrpuras e girassóis
Os cravos, as bromélias e as jardineiras
Nos brindavam com suas magias
E os seus belíssimos encantos
Os lírios do campo e as flores da arruda
Marcavam, também, este grande momento
Circundando esta paradisíaca estrada
Tínhamos magníficos lagos dourados
Exuberantes cachoeiras cristalinas
Planícies verdejantes
Calçadas lapidadas com diamantes
Animais de uma saudável natureza
Nos acompanhavam, nos conduziam
Onde não muito longe, porém, no infinito
Descortinava-se um horizonte de extrema beleza
Borboletas azuis, araras azuis
Cortejo de pavões com as suas riquíssimas plumagens
Todos felizes
E, nós, ainda
Cada vez mais felizes
Cavalos brancos alados
Surfando de acordo com a lei da gravidade
Deixando-nos mais encantados
Nuvens brancas, vermelhas e azuis
Coloriam o esplendor daquela viagem
Muito agradável, muito linda
Anjos, arcanjos e querubins
Ao som das harpas e das citaras
Executavam canções celestiais
Irradiando de enorme alegria
Os bosques e brilhantes jardins
Pessoas sorrindo e se abraçando
Negros, brancos e índios
Adultos, jovens e crianças
Mostrando um mundo cheio de esperanças
Livres de convicções políticas
Cada qual no seu credo religioso
Como num toque esplendoroso
Numa amável primavera
Eu quis, então, declarar
O amor eterno e maravilhoso
Que nos faz unir
E chamando as flores por testemunhas
Através de uma poesia
Declamei aquele momento abençoado
Ao longo de nossas vidas
As palavras saíam, espontaneamente
De repente, surge, inesperadamente
Além daquele infinito horizonte
Através de uma chama inflamante
Uma bela voz iluminante
Compreendida em todos idiomas
“Sejam bem-vindos
À Casa do Reino Celestial”
Cumprimentamo-nos a todos
Com aquele chamado divinal
Naquele ambiente sagrado
Ficou clarificado que o paraíso
Para quem tem fé
É um eterno achado
Ele estará sempre conosco
Subitamente, por um segundo de instantes
Vi, naquela abençoada multidão
Felizes para sempre em um só coração
Raimundo e Blandina Praxedes
Levemente, acordei
A Deus agradeci e orei
Foi um sonho de muita emoção
Creio que um sonho real.

Com o professor Antônio Munhoz e Paulo Tarso Barros no Museu Sacaca


                     CHAPE, CHAPECÓ, CHAPECOENSES

Tantos sonhos não realizados
Projetos interrompidos não concretizados
Nas florestas verdes colombianas
As montanhas sombrias e estáticas
Marcam, tristemente, o destino
Não estabelecido em nossos propósitos
Chape, Chapecó, Chapecoenses
Preparai-vos neste sábado nebuloso
Para a despedida de seus entes queridos
Tragicamente, retirados do nosso convívio terreno
Para o mundo celestial do Pai Eterno
Fisicamente, não conseguimos o nosso título futebolístico
Espiritualmente, somos vencedores
No nosso retorno trazemos a taça da vitória
Que num gesto digno dos esportes
A equipe de Medellin nos honrou
Demonstrando o sentimento humanitário do povo colombiano
O mundo do futebol
Apresentou a imensa solidariedade
Ao povo brasileiro, em especial ao Chapecoense
Chape, Chapecó, Chapecoenses
Que o sacrifício inocente de vossos filhos
Extensivo aos profissionais da imprensa
E aos irmãos bolivianos
Sirva de exemplo frente
À ganância e inescrupulosidade
Do homem a não respeitar os desígnios da natureza
Neste momento difícil
Para vós Chapecoenses
Vossas lágrimas irrigarão
Os vales férteis catarinenses
Nascerão árvores frondosas
Surgirão as flores da primavera
Lembremos a mensagem de uma música
Marcante nestes momentos:
Seguremo-nos nas mãos de Deus!

CHEGA

Com tanto desmantelo
Isto aqui tá uma grande zorra
Na verdade umaporra
Melhor seria Sodoma e Gomorra
Desligo o rádio, desligo a televisão
E viva o país da corrupção
Sinceramente, meu bem
Este não é o país que tanto almejamos
As nossas futuras gerações
Se é que algum dia as tenhamos
Bem posicionados estamos
No ranking das economias mundiais
Sim, com tantas desigualdades
A politicalha nos envergonhando
Cada vez mais
É o descaso abissal da saúde pública
Verdadeiros genocídios nos chãos hospitalares
Num total deixa pra lá das nossas pseudoautoridades
Grassa o sucateamento das escolas públicas
O desrespeito total com as nossas universidades 
Até quando, Catilinas dos podres poderes
Vós abusarás da nossa paciência?
(plagiando  Cícero)
O direito inalienável de ir e vir
Há muito somos prisioneiros em nossos próprios lares
Chega,
A questão da segurança vai de mal a pior
Não tentem repassar vossas incompetências
Ó Nobre Excelências
Para os fatores externos
Façamos sem roubar, o nosso dever de casa
Por que a desvalorização gritante
Aos nossos abnegados profissionais
É médico que não presta
Professor que vive nas mordomias
Com altos salários e tudo mais
Os funcionários públicos vagabundos
É assim que está o cotidiano
Do honrado e sofrido brasileiro
Chega,
Da ditadura inepta desses podres poderes
Discussão de super salários
É jogar balhofas pra galera
Está carcomido e obsoleto
Este ridículo sistema político do meu país
Gostaria de saber
Do Oiapoque ao Chuí
Em qual santa instituição pública
O brasileiro orgulhar-se-ia?
Palavra aberta a quem de direito
Não sou a palmatória do mundo, mas
Chega,
Há tempos que o cavaleiro perdeu as rédeas
O barco está titaniquizando
Sem leme, sem bússola, sem comando
De vez em quando, por ironia da história
Revive-se, nababescamente, o último baile da Ilha Fiscal
Sabemos que o brasileiro não cansa
Porém, seus princípios éticos, estão cansando
Cristo, acendei para esse povo
As últimas luzes da esperança
Chega,
De tantas gastanças, de tantas lambanças
Da falta de atenção
Com a tão cobiçada, internacionalmente, Amazônia
Do sofrimento vergonhoso
Que há séculos
Macula e assola o forte povo do nordeste
Por onde anda a tão propalada
E almejada reforma tributária?
Um anseio inalcançável
Para uma distribuição justa e igualitária
A todos os brasileiros
Quando, perfumados parlamentares
Teremos a aprovação
Das simples medidas de anticorrupção?
Dormiremos sentados
Com as vossas sábias enrolações
Já estamos bastante cansados
O que será de uma tão sonhada reforma política
Onde o instituto da eternidade
Aliado a vitaliciedade e hereditariedade
É um bem salutar de vosmecês
Que “fazem”, “discutem” e “elaboram”
A bel-prazer suas próprias leis
Chega,
Acabemos com o escárnio da reeleição
Não somente no executivo, também aos parlamentos
Talvez, assim, extirpar-se-iam os sabores da corrupção
Uma ideia utópica e desvairada
Por que não instituir
Concursos públicos para os cargos parlamentares
Extensivo a juízes e desembargadores
Adeus meu nepotismo querido
Tenho plena convicção
Que os honrados senhores
Do Clube Nacional dos Cabras Safados e Espertalhões
Nunca me representam
Jamais me representarão
Acreditamos, sim, que um dia
Esta Pátria amada gentil
Há de brilhar
Para a honra de seus filhos
Nos caminhos da igualdade
Da liberdade e da prosperidade
Onde as cadeias públicas
Seja um foro privilegiado
Aos que têm no sangue
A arte sofisticada de roubar
Nossas incorruptíveis aves de rapina
Chega
De patos e de gatos e de ratos
Perfumarem-se nas suas banheiras de ofurô
Viva o Brasil!
Viva o povo brasileiro e
Chega!

Com a professora Zaide Soledade


CRIANÇA DA SÍRIA

Até quando a humanidade
Assistirá, inerte, ao vivo e a cores
O teu desencanto sombrio
Que amputa, drasticamente
O teu sorriso inocente
Ouves falar dos governantes
Que dizem estarem preocupados
Com o teu futuro
Ou eles são mais uns dos homens ignorantes
Que tens ao teu redor
Criança da Síria!
Para onde escorrerão tuas lágrimas?
Por que teus amigos da tua infância
Não se encontram ao teu lado?
Para brincarem, para correrem, para gritarem
Que será o que lhes aconteceu?
Uma bomba os estraçalhou?
Um barco inflável com eles afundou?
Ou a ganância do homem os aniquilou?
Criança da Síria!
Que fazes nesses escombros?
E os teus pais por onde andam?
Quem te protegerá dos bombardeios insanos? 
Ao dia, à tarde, à noite
Até nos teus sonhos perdidos das madrugadas
Será que as nações amigas
Ou até as inimigas
Pensam na tua felicidade
Será que os povos civilizados
Nas suas infinitas reuniões de paz
Não têm inteligência humana
Para com a tua sobrevivência
Será que os princípios seculares
De uma revolução que mudou o mundo
Não aplicar-se-ão nos teus lares
 Estes princípios, ó criança da Síria
São os direitos fundamentais da humanidade
A igualdade, a liberdade, a fraternidade
Quem sabe, o teu povo num outro momento
Venha conhecer esses inalienáveis direitos
Enquanto isso, criança da Síria
Olha para o horizonte
Quem sabe os raios solares
Possam trazer iluminações
Aos homens de boa vontade.

DECLARAÇÃO DE AMOR PARA MACAPÁ

Trago no meu peito
E com todo respeito
Aos meus demais patrícios
O abraço forte
Que vem do norte
Acoplado e turbinado
Pelas ondas eletrizantes
Do meu rio Amazonas mar
Energizando os eternos amantes
Da minha morena e bela Macapá
Prateada e enluarada e iluminada
Pelo brilho sagrado
Da espada santa
Do meu guerreiro São Jorge

(Esta poesia é em homenagem ao Dr. Jorge Wagner Gomes, defensor das causas amapaenses e devoto do Santo guerreiro Jorge).




DESCULPE, OMRAN

Com a cara mais deslavada possível
É nestes termos que dirijo-me
A vossa ilustre pessoa
Interessante que neste momento
Nos nossos jantares nababescos
Tratávamos sobre o grande sofrimento
Um verdadeiro tormento
Por qual passa milhares de crianças
Além de mulheres, jovens e adultos
No seu magnífico país — a Síria
Lamentando, informar-lhe, numa boa
Que não vislumbramos os anseios de esperanças
Tão almejados pelo vosso povo
Uma taça de whisky, aqui
Uma champanhe mais à frente
Rolando solto o caviar
E você me aparece
Inocentemente e imponente
No nosso plasmático televisor
Teu ensanguentado rosto
Não nos remete ao amor
Não mexe conosco nem a contragosto
Para o seu domínio, ó meu ilustre
Voltaremos sempre a continuar
Com as nossas infrutíferas reuniões
Por debaixo dos tapetes frondosos
Dos nossos hotéis suntuosos
Aproveitamos, também, para discutirmos
A quantas anda a cotação positiva
Na bolsa de valores
Da lucrativa, mundialmente, indústria bélica
Porém, Omran, nesta noite
Perturbastes, profundamente, o meu delicioso sono
A altivez da tua imagem pueril
Contrastando com os teus sonhos mágicos
Do teu mundo livre e infantil
Subitamente, Omran, telefonei para os meus filhos
Pela internet eu os vi lindos e maravilhosos
Em algum parque de eterna paz
Lá no lugar onde eu moro
Extremamente pungente
Foi a tua força, Omran
Teu gesto inocente
Com as mãos empoeiradas
É de uma cena marcante
Mostras aos homens e ao mundo
Que o teu sangue derramado
Deixa qualquer governante
Do tipo arrogante e ignorante
A esconder-se no seu palácio encantado
Não demonstras a dor
Queres somente o amor
Quantos em suas grandiosas mansões
Por este planeta azul
Gritaram de vergonha
Choraram as suas negligências
Sentiram-se acovardados
Quiseram ligar para os seus amigos poderosos
Porém, não tiveram e não terão
Aquilo que você tem
A coragem vencendo o mal
Em busca da paz, em busca do bem
Omran, fique sabendo
Que neste planeta azul
Homens de boa vontade
Não temos nem a metade
Pensei, Omran, erroneamente, pensei
Que depois das cenas trágicas de Ailã
Numa fatídica praia da Turquia
A humanidade não voltaria, jamais
A assistir, nunca mais
Degradantes episódios de infanticídio
E para o seu governo
E para o nosso governo
A santa ignorância
Sempre será eterna amiga da ganância
Como não temos, Omran
A bravura da tua coragem
Contentamo-nos em ver tua imagem
Nos nossos brilhosos televisores
Tudo isto ao vivo e a cores!

Com o professor Munhoz e o radialista J. Ney


ENCONTRO CASUAL, ENCONTRO SEXUAL

Quem diria minha ex-doce vida
Que após longos e tenebrosos invernos garretianos
Encontraríamo-nos nesta perfumada masmorra
Sob os auspícios desta locupletada assembleia
Eu, defendendo os interesses internos
Dos meus empreendimentos de orgias sexuais
Das badaladas Sodoma e Gomorra
E vosmecê empurrando pelos canos
Os distúrbios orgásmicos da desvairada Pompeia
Então, minha ex-asquerosa putassacana
São mais de vinte anos
Que não te vejo, que não te desejo, que não te beijo
Aquele linguado na nuca
Para ficares bem maluca
Vamos fazer deste nosso encontro casual
Um arretado e lavajatado encontro sexual
Quando, naquele momento do ponto G, minhas coxas
Resvalarem em tuas suaves coxas
De tanto nos lambermos
Nossas línguas ficarão roxas
Agora, nenê, o que importa
Minha ex-flor da urtiga
Que o amor bateu as nossas portas
Se a Inês é morta
Para ti farei uma bela cantiga
Relembrando nossas festanças
Com maravilhosas gastanças
Patrocinadas nas propinas e nos milhões
Pelo nosso imaculado Clube
O Clube Nacional dos Cabras Safados e Espertalhões
Parceiro exemplar das nossas lambanças
De agora em diante
Em qualquer paraíso fiscal
Longe ou distante
Vamos comemorar nossas honradas traquinagens
Ainda lembro com o coração radiante
Aquele presente que marcava nossos belos instantes
Uma cunezeleira ornamentada de diamantes
Para que sejamos lavajatados
Eviitemos, peremptoriamente, nossas comunicações
Que nos rastreiam até os quinquilhões
Usemos o antigo telégrafo sem o fio da navalha
Podemos utilizar o Código da Vinci
A alta tecnologia do Código Morse
Assim como as eternas cartas de amor
Criptografadas nos correios anti-espionados
Concluindo, minha ex-amada desleixada
Da próxima vez que nos encontrarmos
Não traz à la coté
Aquele espigado de um carachuê
Porque meu bem
Nossos gritos, sussurros, gemidos e grunhidos
São, exclusivamente, meu e de vosmecê


AS ASAS DA TRAIÇÃO

Assim que resolveste arribar
Do aconchego do nosso lar
Tal qual um ave de arribação
Foi quando, então, acordei
Agora a quem tanto amei
Não saiu de mim andando
Saiu, minha gente, saiu voando
Resta-me neste momento
De grande aflição
Com um destemperado sofrimento
Salvar as deterioradas veias do meu coração
Ela, com certeza, deixou-me na esparrela
Fechei a porta, fechei a janela
Como eras linda
Com o teu sorriso mais lindo ainda
Não nego, não renego
Hei de esperar-te no meu aconchego
Para cada dia mais
Acariciar-te, beijar-te, desejar-te
E que nunca, minha mimosa
Crie as asas da traição
Oferecendo-te uma perfumada rosa
Declaro pra você
Minha eterna paixão

LISTA FECHADA

Lista fechada é a lista dos golpistas
Lista fechada é a salvação dos corruptos
É a lista dos abutres e das aves de rapina
É a beatificação da propina
Lista fechada é o aval espúrio do caixa dois
Os interesses da coletividade ficam pra depois
Lista fechada é o apogeu da plutocracia
É o bel-prazer da cleptocracia
É o desrespeito à pureza da democracia
É a lista dos salafrários e dos ordinários
Aos eleitores otários
Basta os aplausos para os imbecis
Lista fechada é a lista arreganhada
Deste perpetuísmo político e obsoleto
Que norteia os quatro cantos deste país
De geração a geração dos vícios e corrupções
Asseclas da lista fechada
Não respeitam as mentes e os corações
Dos desabrigados, dos desempregados, dos desamparados
Hienas da lista fechada
Roubam os sonhos, a educação e a merenda escolar
Das crianças que, realmente, são o futuro do Brasil
Ouvi, lobos da lista fechada
O povo brasileiro não vota em partido político
Ressalvando-se raríssimas exceções
Neste país tropical partidos políticos
Surrupiam, escancaradamente, sem cobrir o rosto
As muletas e bengalas dos raquíticos e paralíticos
Partido político neste Brasil é um eterno desgosto
O povo brasileiro vota em pessoas
Sejam, conforme o grande Pastor
Pessoas de boa vontade
Um dia esta terra mãe gentil
Expurgará os honorários da lista fechada
Exterminará com o voto livre e consciente
Os associados do Clube Nacional dos Cabras Safados e Espertalhões
Àqueles que são chegados aos milhões
Basta para isto um bom sopro de um lavajato
Beneméritos da lista fechada
Esfregam-se, numa grande suruba, ardentemente
Nos altos escalões do peculato
Tais como o gato e o rato
Surfam como levianos, ardentemente
Nas ondas enlameadas e podres dos podres poderes
Não podemos, jamais, perdermos a fé em Deus
Pessoas de espírito humano e cristão
Conduzirão, num breve futuro
O destino dos filhos seus
Lista fechada é a lista da sem-vergonhice
Lista fechada é a lista da cretinice
Da maluquice e da babaquice
O Brasil não precisa deste tipo de gente
Extremamente imbecil, imoral e indecente
Lista fechada é um assalto político
Lista fechada é típica de golpistas
Lista fechada é um crime de lesa pátria
Deus salve o Brasil!
 
Dalvacy e Bárbara Gurgel, esposa e filha

MACAPÁ DA SÁGRADA MARIA

Ao cair num profundo sono
Comecei a viver equinocialmente
As sensações místicas e apaixonantes
Do equinócio de outono
Obedecendo a lei da queda da maçã,
Gravitacionalmente
Abraçamo-nos, entusiasticamente
Beijamo-nos, calorosamente
Na linha imaginária que divide o globo
Você no Norte, eu no Sul
Nosso amor cada vez mais azul
Em Macapá, no meio do mundo
Numa asa delta como uma águia formosa
Sobrevoamos e admiramos e amamos
O majestoso Rio Amazonas mar
Através daquela imagem maravilhosa
Fomos abençoados com muita fé
Pelo nosso santo padroeiro São José
Protegidos pelos santos baluartes
Da nossa histórica Fortaleza (de São José)
O amor transforma-se em realeza
Aliada à exuberante natureza
Nesta terra que um dia
Foi o Adelantado de Nueva Andaluzia
No ritmo do batuque e do marabaixo
Amor acima, amor abaixo
Nossa paixão uma eterna alegria
Cantando um “ladrão” aqui
Roubando um “ladrão” ali
No espaiar da saia da morena
Perfumada pela flor d’açucena
Caso com a moça de branco, olé, lê
Acordo na efervescência do toque das caixas
Canto uma roda de marabaixo para você
Homenageando a Ságrada* Maria
Olô, olô...
* (A palavra não é proparoxítona, entretanto, no saber cultural do nosso folclore (marabaixo) para enfatizar a tonalidade musical ela é, propositadamente pronunciada com a acentuação tônica na antepenúltima sílaba).
Obs. Esta poesia é em homenagem a um dos baluartes da nossa cultura amapaense: João Carlos Rosário Piru.

Ó LINDA, Ó LINDA

Ó linda, ó linda
Morena das ladeiras de Olinda
Tú és muito massa
Nos conhecemos um dia
Morena cheia de graça
Através da simpatia
Do guia Fumaça
Ó linda, Ó linda
Morena das ladeiras de Olinda
Do meu amor por ti
Tende piedade de mim
Na ladeira da Misericórdia
Tende piedade de mim
Ó linda, Ó linda
Morena das ladeiras de Olinda
Nosso amor
Não vai correr nenhum risco
Vamos nos casar
Na igreja de São Francisco
E atravessaremos a linha do Equador
Ó linda, Ó linda
Morena das ladeiras de Olinda
Nosso amor teve um grande momento
Quando juntos rezamos
Quando juntos juramos
Aos pés e olhares de São Bento
Aos pés e olhares de São Bento
Ó linda, Ó linda
Morena das ladeiras de Olinda
Ladeira acima, ladeira abaixo
Vamos dançar o Marabaixo
Vindo de Macapá
Contornando teu corpo com o aroma do cajá
Te oferecendo a flor da arruda
Saudando e frevando com a Cadeiruda
Saudando e frevando com a Cadeiruda.

 (Ao visitar Olinda (PE) em 30.05.2015 com o casal Kelcione/Glícia, acompanhados do guia de Turismo Fumaça, após o lll Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, realizado naquela cidade.)

PAZ NO MUNDO DE JESUS

Uma estrela no céu anunciou
Anunciou que uma constelação
De Deus, de Deus
Receberia uma nobre missão
Que um menino viria ao mundo
Para salvar, para salvar
O bem espiritual da humanidade
Simples seria esta missão
Da constelação de muito sol
De muito brilho, de muita luz
Iluminar, iluminar
Os passos abençoados de Jesus
Para a glória do Deus Criador
A constelação e outros astros que brilham
Vivem a iluminar, vivem a brilhar
Os passos dos seguidores de Jesus
Ó estrelas do firmamento
Iluminai, iluminai
Aos homens de boa vontade
E paz no mundo
E paz no mundo
No mundo de Jesus



POROROCAS SUPERSÔNICAS

Ao te deixar naquele porto
As águas em ondas gigantes
Levar-te- iam ao teu destino
Fiquei a pensar
Logo existo e não desisto
Neste amor de desatino
Para quê te amar
Quando partes para horizontes distantes?
Não sei se estas ondas que te levam
Se elas serão capazes
De trazerem de volta o meu amor
Numa maresia de paixões fugazes
O barco que te levou
É o barco que me levará
Aos abraços e beijos molhados
Destas nossas ondas de enamorados
Não importa se em ondas amazônicas
Ou em pororocas supersônicas
O barco que te levou
É o que me levará
Onde surfaremos nas ondas amazônicas
Ou nas estrondosas pororocas supersônicas.


ROMÂNTICAS BOCA DA NOITE

Como num toque de mágica
Nada acontece de trágico
Vem chegando para a nossa alegria
A tão almejada boca da noite
Para dedicar todo o meu amor
Que tenho por você a cada dia
Neste momento de ardentes paixões
Na boca da noite
No nosso quentinho cantinho
Vou te encher de muito carinho
Com muito tesão
Percorrerei, amaciando
Cada pedaço deste corpo bronzeado
Como um caboclo apaixonado
Andarei pelas tuas curvas
Saltarei pelos teus encantos
Espero que esta boca da noite
Seja longa para este teu amado
Que eu fique a te admirar
Que eu tenha forças para te abraçar
Querida, nesta boca da noite
Imensamente, quero beijar tua boca
Que tem no hálito o sabor do bacuri
Que ela seja somente nossa
E de mais ninguém
E assim, meu bem
Que esta boca da noite
Não termine também
Para que eu possa
Para sempre te amar
Nesta romântica boca da noite.



Paulo de Tarso Gurgel
tarsogurgel@bol.com.br