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22 de mai de 2017

PROFESSOR ANTÔNIO MUNHOZ LÓPES: CIDADÃO DO MUNDO - HOMENAGENS, FOTOS & CARTAS & LEMBRANÇAS

MORRE EM MACAPÁ O NOSSO QUERIDO MESTRE, ÀS 13H30MIN, NO HOSPITAL GERAL DE MACAPÁ. 



O professor Munhoz sofria de insuficiência renal e desde 2015 começou a ter problemas relacionados à doença. Ele faleceu no dia 22/05/2017, aos 85 anos, cercado de carinho e cuidados dos amigos, ex-alunos e familiares. Seu corpo  foi velado na Assembleia Legislativa e  sepultado no dia 23/05/2017, às 17h30min, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no Bairro Central , em Macapá, a poucos metros de sua amiga de toda a vida a querida professora Zaide Soledade. Seus corpos ali repousam, mas os espíritos dos dois certamente resplandecem na eternidade do nosso Criador Supremo.
(Paulo Tarso Barros)


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Reproduzimos abaixo a Matéria publicada pelo Portal G1, produzida pela jornalista Fabiana Figueiredo:


MATÉRIA DO G1 publicada em 22/05/2017
Por Fabiana Figueiredo, G1 AP, Macapá

Antônio Munhoz Lopes, de 85 anos, conhecido como professor Munhoz, morreu no início da tarde desta segunda-feira (22) após quatro paradas cardíacas por complicações de insuficiência renal. Ele estava internado desde a manhã desta segunda na UTI do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal), em Macapá.
A família informou que o velório acontecerá a partir das 17h desta segunda, na sede da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), no Centro da capital. O velório acontecerá na terça-feira (23), com horário e local ainda a confirmar.
De acordo com familiares, o professor adquiriu uma infecção durante hemodiálise e foi internado em um hospital particular no dia 10 de maio. Liberado há 4 dias, ele voltou a sentir fraqueza e dores e foi internado. Na manhã desta segunda-feira, ele foi transferido para o hospital geral, onde era acompanhado por médicos na hemodiálise, e teve 4 paradas cardíacas.
Professor Munhoz foi um paraense que dedicou quase 60 anos de vida à educação, poesia, música e história do Amapá. Ele também era considerado por intelectuais “cidadão do mundo”, por viajar por países da Europa, África e da América do Norte, segundo registrado no último poema escrito por Alcy Araújo, em 1989.
Homenagens
A morte do professor Munhoz emocionou diversos amapaenses nas redes sociais, como historiadores, escritores, religiosos, entre outros profissionais.
“Descanse em paz, Professor Munhoz. Você educou gerações e deixa milhares de alunos de luto. Vai ser muito difícil a gente esquecer este personagem que escolheu o Amapá para viver e também para descansar”, comentou o historiador Edgar Rodrigues.
"E neste Dia do Abraço meu amigo Munhoz, aos 85 anos, acaba de partir, abraçado pelos anjos é recebido por Deus com um abraço de luz. Minhas lágrimas abraçam as lembranças dos belos momentos que vivi com ele", postou a escritora e jornalista Alcinéa Cavalcante em uma publicação no Facebook.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) emitiu nota de pesar sobre o falecimento de Munhoz. Ele externou condolências e agradeceu à contribuição cultural, educacional e histórica do professor Munhoz para o Amapá.
A Confraria Tucuju, instituição da qual Munhoz era sócio desde a fundação, também emitiu nota de pesar, lamentando a perda, lembrando das diversas homenagens feitas a ele em reconhecimento aos gestos de gratidão e amor pelo estado.
Intelectual, historiador e poeta
Filho de José Ayres Lópes e Izabel Munhoz Lópes, professor Munhoz nasceu em Belém, estado do Pará, no dia 10 de fevereiro de 1932. Se tornou bacharel em direito, e veio morar no Amapá em 1959, quando ingressou no serviço público do ex-território como delegado de polícia.
Ele também se formou em letras, curso que lhe permitiu lecionar em escolas como o Colégio Amapaense, Escola de Arte Cândido Portinari, Universidade Língua Latina e a atuar no Conservatório Amapaense de Música.
Entre os reconhecimentos que ele recebeu estão os de “Mestre do Ano” entregue pelo governador Ivanhoé Gonçalves Martins (1969); diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de Macapá (1987); “Destaque 1988”; Colar do Mérito Judiciário, concedido durante o I Congresso Internacional de Magistrados da Amazônia; “Cidadão Amapaense”, entregue pela Assembleia Legislativa do Amapá (2003); e Medalha do Mérito Universitário (2008), da Universidade Federal do Amapá.
Munhoz também fez parte do Conselho de Cultura do Amapá entre 1985 e 1989 e era membro da Academia Amapaense de Letras. Em 2012, quando completou 80 anos, em uma das homenagens que recebeu, descreveu um pouco da vida que levou em Macapá no blog Porta-Retrato.
“Foi a partir da minha chegada a Macapá que a minha vida passou a ter um sentido maior. No mais profundo de mim mesmo, tenho medo da morte porque ainda amo a vida, com o que ela tem de bom e bela. O que sou hoje, e tudo que vi e vivi, devo aos amapaenses, embora nada tenha recebido de graça. Tudo que fiz na vida, até agora, foi fruto do meu trabalho, do meu esforço do meu suor”, escreveu Munhoz.

(Com informações dos historiadores Edgar Rodrigues e Paulo Tarso Barros)
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Antônio Munhoz, Cidadão do Mundo

Texto: Wellington Silva
Jornalista e Historiador
Especial para o Diário

Cidadão do mundo, mestre das letras, educador de gerações, conselheiro cultural, pesquisador incansável, consultor e consultado. Antônio Munhoz Lópes era nossa biblioteca mundial da diversidade. Tinha uma grandiosa e irrequieta capacidade em acumular informações de culturas diversas. Era portador de um patrimônio intelectual que hoje poucos se interessam, porque não dá dinheiro: muitas, muitas leituras acumuladas e uma diversidade invejável de visões culturais de mundo.
Cadeira cativa do Programa É Domingo, na Rádio Diário FM, capitaneado por Douglas Lima, Munhoz tinha uma incrível capacidade em construir textos e transportar o ouvinte às suas viagens ao Egito, Israel, Grécia, China, museus, o Louvre, pinacotecas famosas, detalhes de históricas obras de arte, etc...
Antônio Munhoz Lópes nasceu em Belém do Pará no dia 10 de fevereiro de 1932. Filho de José Ayres Lópes e de Izabel Munhoz Lópes. Veio para o Amapá em 1959, aqui dedicando quase seis décadas de sua vida ao magistério, a história, literatura, poesia e música. Estudou filosofia, temporariamente foi seminarista e acabou enveredando na advocacia após bacharelar-se em Direito. Quando chegou ao Amapá, em 1959, foi para ocupar o cargo de delegado do antigo DOPS, a Delegacia de Ordem Política e Social. Sua ligação com o magistério deu-se após formação em Letras, graduação que lhe permitiu lecionar no Colégio Amapaense, Escola de Arte Cândido Portinari, Universidade Língua Latina e Conservatório Amapaense de Música.
Em 1969, recebe o título de “Mestre do Ano”, entregue pelo governador Ivanhoé Gonçalves Martins. Em 1987 recebe diploma de Honra ao Mérito, concedido pela Câmara Municipal de Macapá. Depois, é consagrado “Destaque 1988”. Durante o I Congresso Internacional de Magistrados da Amazônia recebe o Colar do Mérito Judiciário. Em 2003, a Assembleia Legislativa do Amapá lhe outorga o título de “Cidadão Amapaense”. Em 2008, a Universidade Federal do Amapá lhe homenageia com a Medalha do Mérito Universitário. No período de 1985 a 1989 foi membro do Conselho de Cultura do Amapá.  Também era membro da Academia Amapaense de Letras. Era presença indispensável nas solenidades da Academia Amapaense Maçônica de Letras – AAML.
Quando completou 80 anos, em 2012, assim se reportou ao conhecido escritor Paulo de Tarso:
“Foi a partir da minha chegada a Macapá que a minha vida passou a ter um sentido maior. No mais profundo de mim mesmo, tenho medo da morte porque ainda amo a vida, com o que ela tem de bom e bela. O que sou hoje, e tudo que vi e vivi, devo aos amapaenses, embora nada tenha recebido de graça. Tudo que fiz na vida, até agora, foi fruto do meu trabalho, do meu esforço, do meu suor”.


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Estas foram as últimas fotos que fiz do Mestre no Hospital São Camilo ao lado do seu irmão Lópes Ayres no dia 10 de maio de 2017.







NATHÁLIA UCHÔA DOS SANTOS (*) enviou esta mensagem para ser lida na MISSA DE 7º DIA DE FALECIMENTO DO PROFESSOR MUNHOZ, em 28/05/2017, na CATEDRAL DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ.

Há sete dias, o ilustre Prof. Antônio Munhoz Lopes fez a sua páscoa. Nesta Santa Missa, estamos reunidos para celebramos o seu histórico, rezarmos por sua alma e agradecemos a Deus porque viveu entre nós um homem tão importante, que marcou a história do Amapá e influenciou a vida de muitos filhos deste rincão brasileiro.
Frequentava assiduamente esta catedral e sentava no mesmo lugar, para onde hoje olhamos e sentimos que falta aquela presença cativante, viva na memória. Levando um guarda-chuva e um livro nas mãos, tinha o prazer de caminhar pelo centro da cidade, nos arredores do Largo dos Inocentes, da Biblioteca Pública, do Teatro das Bacabeiras, dos Correios, do Colégio Amapaense, da Praça da Bandeira... com passos ritmados, espalhando um sorriso terno e a certeza de quem sabia para onde ir e o que fazer, aproveitando a vida.
O Prof. Munhoz tinha um jeito constante e peculiar para tudo. Era uma referência. Inconfundível sua fala em tom compassado, poético e pedagógico; seu modo de se vestir, andar, sentar com as pernas cruzadas, transparecendo a elegância do intelectual que foi, e a docilidade de quem parecia ser um familiar daqueles que o cercavam.
Deixou órfã e enlutada uma enorme família de amigos, que construiu e solidificou, em mais de meio século de dedicação ao povo amapaense. Cidadão do mundo, viajante inveterado, o Prof. Munhoz percorreu diversos países, mas era para Macapá que ele voltava feliz, para compartilhar com generosidade tudo o que viu e experienciou. Conheceu os lugares mais desenvolvidos do mundo e sabia da conjuntura de Macapá, mas amou esta cidade e ensinou a valorizá-la, tanto que era fiel às atividades na Confraria Tucuju, onde deixou significativas contribuições. Ele acreditava em dias melhores e colaborava com o progresso mediante a educação do povo. Uma vida de lições cívicas.
Sua história é a rica herança com que nos presenteou. Mestre das letras, educador de gerações, escritor, radialista, conselheiro cultural, pesquisador incansável, difusor de saberes. Foi uma pessoa instruída bem acima da média, que consumia leitura assim como a necessidade vital de se alimentar. Apesar do poderio que o arsenal de conhecimento lhe investiu, mantinha a humildade, não se colocava em posição superior e sabia ouvir atentamente o que tinham a lhe falar. Perto dele todos se sentiam acolhidos e especiais, pois ele dava essa abertura para que ficássemos à vontade.
Era uma satisfação enorme trocar ideias com um mestre tão experiente e contemporâneo. Até os 85 anos teve um comportamento juvenil: não se acomodava, participava do fluxo de novidades tecnológicas e conseguia interagir plenamente com as atualidades do Século XXI. Ele se esforçava para manusear aparelhos modernos e utilizar os recursos das redes sociais. Fazia questão de prestigiar eventos culturais, lançamentos de livros, festividades religiosas, bailes de carnaval, rodas de bate-papo.
Amante das artes, tinha uma sensibilidade estética incrível para enxergar o belo nas pessoas, nos lugares, nos acontecimentos. Sua capacidade narrativa despertou sensações e vontades positivas em muitos alunos, que reconhecem o diferencial que o nobre Prof. Munhoz significou em suas escolhas e trajetórias. Não foram poucos os que decidiram seguir o exemplo do mestre e se tornaram professores, eternos aprendizes.
O Prof. Munhoz usou sua grandeza para se fazer instrumento de paz e, franciscanamente, exemplificou que é dando que se recebe. Amou viver, procurou viver em abundância, amou os irmãos, doou sua vida pelo bem coletivo, na missão de educador. Um cristão que soube compartilhar o que tinha de mais valioso.
Quantas pessoas morrem desamparadas? São esquecidas ainda em vida? Sequer recebem a cortesia de uma dedicatória ou agradecimentos? O Prof. Munhoz nunca esteve sozinho. Soube cativar e aquecer corações que o seguiam. Até seus últimos momentos foi acompanhado por amigos fiéis.
O fato é que nenhuma homenagem póstuma superará as honrarias que em vida foram outorgadas ao Prof. Munhoz. Em sua passagem terrena, foi aplaudido de pé em incontáveis oportunidades; recebeu títulos, medalhas, comendas; a ele foram dedicados almoços, jantares, festas, passeios, viagens, aulas de saudade; ouviu o “muito obrigado” de centenas de admiradores.

Pensador, crítico, discreto, gentil, comunicador, leve, animado! Os melhores adjetivos ao Prof. Munhoz! Vamos dedicar essa bela canção ao mestre, com carinho. A ele, que nos ensinou a repartir tesouros, a respeitar os outros. Foi muito legal lhe ter aqui conosco, Prof. Munhoz: um amigo em quem pudemos acreditar. Queríamos lhe abraçar! Agradecermos por tudo e sentimos saudade. Fica o dever moral de seguirmos as suas lições, amado maestro orquestral de uma sinfonia feliz!

(*) Nathália Uchôa dos Santos é filha de Bernadeth e Tadeu Pelaes. Professora de Direito. Mestra em Direito Ambiental e Políticas Públicas. Analista Judiciária.
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Nota do editor:
Matéria republicada, atualizada, com acréscimo de texto e fotos.

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Portanto, em comemoração ao aniversário do querido mestre, que ocorre no dia 10 de fevereiro, estamos publicando várias homenagens neste espaço do blog Literatura no Amapá, que ficará em permanente atualização para saudar tão ilustre personagem.


Publicamos abaixo a belíssima carta-poema que o nosso confrade Benedito de Queiroz Alcântara escreveu sobre o professor Munhoz, ao mesmo tempo em que republicamos uma postagem que fizemos anteriormente, também em homenagem ao nosso Mestre. Tudo isso para registrar e externar a nossa gratidão a esse ser humano tão especial.



ANTES QUE EXPULSEM DA SALA 
A MEMÓRIA DA GRATIDÃO
 

CARÍSSIMO PROFESSOR MUNHOZ,

Antes que minha memória seja abduzida para um poço sem fim
Antes que meu coração seja empedrado pelas fúteis vaidades
Antes que minha língua endureça num silêncio forjado
Antes que revisem minha trajetória existencial
Antes que meus olhos não possam mais te identificar
Antes que arranquem meus braços, minhas mãos, meu ...
sorriso.

Antes que não possas mais caminhar silenciosamente pelas ruas de Macapá






Prof. Munhoz caminhando sobre a calçada da residência governamental,
no Centro de Macapá. Maio/2011. Foto: Paulo Tarso Barros





Antes que não possas mais adentrar nas liturgias da Catedral de S. José
Antes que não possas mais proclamar as crônicas das tuas andanças
Antes que não possas mais comentar e questionar a vida humana
Antes que não possas mais explodir em saborosas gargalhadas
Antes que não possas mais banquetear-se com nossas comidas típicas.

Antes que te expulsem de qualquer sala
Antes que te esqueçam hipocritamente em uma solenidade
Antes que te forcem a voltar para a terra paraoara
Antes que tirem da lista de convidados de uma formatura
Antes que te olvidem dos eventos culturais
Antes que te chamem de ultrapassado e fora de moda.

Antes que...
Antes de tudo isso...

Permita professor querido, proclamar ao mundo, deixar registrado, como testemunho sincero de um ex-aluno do tempo do Colégio Amapaense, anos 1977-1978-1979, hoje um ser calejado, com filhos e trajetórias, professor de cada dia, agradecer imensamente porque Deus permitiu que um anjo seu viesse em nosso auxílio, deixar indeléveis marcas em nosso caráter, em nossa formação, em nossa visão de mundo e sociedade.

Quero testemunhar que, se hoje estou em sala, foi por causa sim de sua impetuosidade em nos ensinar a Língua Portuguesa e Literatura, como uma verdadeira viagem pelos quatro cantos do mundo, levando-me, imberbe jovem, a optar pela cátedra de história, com o sonho de trilhar as veredas dos lugares e adentrar nas facetas humanas de cada paragem.

Terno Mestre, não tinha como faltar às suas aulas, não tinha como não aproveitar cada minuto, não tinha como estudar por estudar, pois nos atiçavas para abraçar as aventuras da vida que a maturidade nos reservava.

No tosco espaço da sala de aula, ciceroneaste nossa curiosidade pelos diversos países, seduzindo-nos para os continentes, os povos e seus costumes, tudo aquilo que de mais belo e singelo o ser humano é capaz de construir.

Enfim, lá fomos nós para o chamado nível superior, sem cursinhos ou meros desafios, apenas com o que comemos e bebemos contigo e outros mestres. Era hora de partir, deixar a terrinha, deixar a família, adentrar nos mares nunca dantes navegados (por nós), não mais como expectadores e sim como atores principais.

Atravessei o Brasil, para o Sul distante e diferente. Depois para o Rio de Janeiro, dantesco e acolhedor. Mais tarde para a América Central, na Nicarágua querida. Até que, com a morte do meu pai Leandro, lá estava em missão por El Salvador e Guatemala, entre os fuzis e helicópteros da guerra maldita, larguei tudo e voltei para os meus, mais precisamente para ficar com minha mãezinha Maria até os seus últimos dias.

E por aqui fiquei, casei, vieram os filhos, sempre estudando, sempre peregrinando em sala de aula, envolvido em tantas atividades. E com o privilégio de te encontrar, na maioria das vezes, em nossas ruas e avenidas. E lá ficávamos a conversar, com o tempo parando para nós e correndo para quem nos acompanhava.

Assim vamos atravessando os sertões de nossas existências, eu também já trazendo meus cabelos brancos, que um dia espero que fiquem como os seus : cálidos e misteriosos.

Permaneço com a tenacidade de a cada dia adentrar nas salas de aula, desde a 5ª série até o Ensino Superior. E sempre, sempre, a cada ano, a cada período letivo, citar teu nome para os que hoje me chamam de professor. Recordando cada aula, cada narrativa de suas viagens, cada comentário, que se alojaram dentro de meu coração e que lá permanecerão ad aeternum.

Professor querido, em nome de toda a minha família de irmãos e irmãs que também foram teus alunos, em nome de todos os colegas de todas as turmas do “Colégio Padrão”, quero externar nosso sincero e singelo agradecimento por teres adentrado em nossa formação, em nossas vidas.

Professor querido, valeu e vale demais saber que tu vieste e permaneceste no meio de nós, desde ontem e para sempre, franciscanamente único-total-puro-universal. Tão absorto em suas meditações, tão generoso em suas reflexões, tão de tantos rostos e lugares e, maravilhosamente, tão nosso !

Neste dia, dedicado ao professor, antes que tudo desapareça ou desabe, ou que tudo possa ser mudado e esquecido, que eu possa registrar e proclamar, ao Mestre, com carinho, ao querido Professor Antônio Munhoz Lopes : VALEU !

Macapá, 15 de Outubro de 2008.



Benedito Queiroz Alcântara

Benedito de Queiroz Alcântara


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PROFESSOR MUNHOZ: 80 ANOS DE VIDA - 53 ANOS DEDICADOS AO AMAPÁ (*)

Professor Munhoz e quadro com sua fotografia na juventude
Foto: Paulo Tarso Barros/2012

Antônio Munhoz Lópes nasceu no dia 10 de fevereiro de 1932, em Belém-PA. Filho de José Ayres Lópes e Izabel Munhoz Lópes. Cursou filosofia, foi seminarista em São Luís do Maranhão, mas acabou bacharelando-se em Direito. Chegou ao Amapá em 1959 e ingressou no funcionalismo do Território, ocupando o cargo de delegado no antigo DOPS. Porém, como escreveu o cônego Ápio Campos no jornal A Província do Pará, Munhoz emprestou à pacata segurança pública da época "um clima de cenáculo literário". Mas foi a partir de 1960 que ele deu início a uma das mais profícuas e brilhantes carreiras do magistério do antigo Território, sendo hoje reconhecido como mestre de várias gerações de ilustres figuras de destaque do Amapá.

Antônio Munhoz Lópes exerceu inúmeros cargos e funções importantes, sempre se destacando pela inteligência, a sensibilidade e o carisma. Até hoje é o nosso maior epistológrafo, pois se correspondia pelo velho e bom Correio com pessoas do mundo inteiro. Anualmente, o professor Munhoz fazia uma viagem internacional e visitava museus, igrejas, ruínas e monumentos históricos. Foi assim que adquiriu uma cultura humanística invejável, pois discorria com desenvoltura sobre tudo que via e registrava através de fotos, observações argutas, anotações manuscritas e cartas. Tornou-se um verdadeiro globe-trotter, cujas memórias há muito eram aguardadas por todos nós, mas que certamente, com o vasto material deixado, não faltará quem escreva a sua bela história.
 
Professor Munhoz com o Governador Camilo Capiberibe e o
escritor Paulo Tarso Barros na residência governamental - Março/2012


Felizmente, o professor Munhoz ainda recebeu em vida todo o carinho e reconhecimento pelo seu desempenho excelente em todas as funções públicas que exerceu, principalmente como educador e incentivador das Letras e das Artes. Por muitos anos foi membro do Conselho de Cultura, debatendo e formulando ideias, sugerindo ações por parte dos gestores culturais. Foi um dos mais assíduos frequentadores de eventos artísticos e culturais, ao lado da sua amiga, a saudosa professora Zaide Soledade. Lembramos que, dentre as muitas homenagens que lhe foram prestadas em vida, ele dá nome a 3 espaços culturais: Uma sala na Biblioteca Pública, Uma Galeria de Arte no Sesc-Araxá e o Auditório na Sede da associação A Banda, que reúne o maior bloco de rua do Amapá.
A figura simpática e respeitável do professor Munhoz já fez parte da paisagem urbana do Centro de Macapá, em suas caminhadas diárias visitando a Biblioteca Pública, Confraria Tucuju, livrarias, bancas de jornais, agência dos Correios (onde possuiu uma das mais antigas caixas postais!).
Como o mais globalizado dos pioneiros do Amapá, conheceu muitos países e culturas, pois foi um incansável visitador de museus, monumentos históricos, igrejas, teatros, restaurante e locais históricos. Seu acervo fotográfico se constitui no mais relevante arquivo que registra sua peregrinação cultural que tanto o estimulou a cultivar os valores humanos e cristãos. Para mim, Munhoz é o exemplo maior de um cidadão que dedicou sua vida para usufruir da Arte e da Cultura e de tudo de bom que advém dessa escolha tão inteligente.
Era impressionante o carisma, a vitalidade, a vontade de viver e de compartilhar suas vivências e experiências, tanto com os amigos como ex-alunos — na verdade, todos que passaram por suas salas de aula o procuravam amiudemente para palestras, aulas da saudade, conferências, confraternizações e homenagens. Jamais ele se recusava a dar entrevistas, a participar de eventos e cerimônias e mesmo festas. Foi sem dúvida a personalidade da educação e da cultura mais fotografada que existiu aqui no Amapá. Crianças o adoravam e gostavam de ser fotografadas ao seu lado, bem como pessoas simples, estudantes, motoristas e todos que lhe tinham admiração por aquele semblante sempre alegre e carismático.
O professor Munhoz viveu franciscanamente, sempre com absoluta simplicidade, apenas com o essencial. Morou por mais de cinquenta anos em um quatro do Hotel Santo Antônio, no Centro de Macapá, e mudou-se depois para uma kitnet a pouco mais de 100 metros, de onde não quis sair para morar em sua casa na Rua Leopoldo Machado, onde ficavam seus livros e quadros (seus únicos patrimônios!), apesar da insistência dos amigos e médicos. Não acumulou bens materiais, joias, propriedades — jamais teve automóvel, computador, TV por assinatura e sequer sabia datilografia ou aplicou dinheiro em banco. Entretanto, seus amigos lhe presentearam com dezenas de obras de arte, como quadros, esculturas e centenas de livros. Foi retratado por pintores de vários lugares do Brasil e do exterior e exibia com orgulho esses trabalhos. Certamente, seu legado se constitui, na área do humanismo, da educação, dos valores artísticos e culturais, num impressionante manancial para o povo amapaense, que o acolheu de braços abertos e que diante de sua morte, expressa a tristeza por tão relevante perda.
Leitor e pesquisador apaixonado, era um dos mais assíduos frequentadores da Biblioteca Pública Estadual de Macapá, onde recolhia informações de Enciclopédias, obras de arte ou de ensaios e ficção. Ali produziu centenas de textos para divulgar nos programas de rádio que fazia parte, pois sempre gostou da comunicação e de compartilhar seus conhecimentos e experiências. Era perfeccionista e meticuloso ao produzir os seus textos, lidos em perfeita dicção e na tonalidade certa.
Eu tinha contato com ele quase diariamente, pois ele residia próximo à Biblioteca Pública Estadual, onde eu trabalho. Era ali que ele vinha me pedir para acessar a internet, fazer pesquisas e marcava muitas entrevistas com alunos e jornalistas. Sua característica marcante era a vontade de viver, a alegria, o sorriso no rosto, o gosto por compartilhar suas viagens e experiências. Tinha mania de recolher jornais e revistas que encontrava disponíveis na emissora de rádio, na casa de amigos e usava sempre uma pequena bolsa de plástico onde guardava suas anotações e que, vez por outra, esquecia em algum lugar, mas logo a recuperava. Sempre carregava fotografias para mostrar aos amigos. Uma situação engraçada que brecordo: ele era nosso parceiro na Biblioteca, se fazia presente em todos os nossos eventos e comemorações, pois sempre o convidávamos pra tudo. Certa vez, mandamos fazer uma peixada pra ele e o esperamos até 13h30min e não havia meio de encontrá-lo, pois nunca teve telefone (a não ser nos últimos dois anos, por extrema necessidade). Foi a primeira vez que ele falhou, pois era pontualíssimo e a gente sabia disso. No outro dia ele chegou à Biblioteca, eu fui falar do almoço e ele simplesmente me disse que havia esquecido, pediu muitas desculpas! Munhoz era um homem que vivia intensamente, mesmo planejando as próximas viagens, trazia consigo as lembranças de todas as suas peregrinações.

Nos últimos dois anos de vida, já visivelmente debilitado, contava com uma rede de proteção, principalmente da Sarina Santos, casada com um dos seus filhos adotivos, Renato, que o acompanhava a todos os lugares e cuidava de seus exames, consultas e medicamentos e que esteve com ele até o último instante.

(Texto: Paulo Tarso Barros) 


Minha primeira foto com o Mestre (1986) na
Escola de Música Walkíria Lima durante o
lançamento de meu livro "Poemas de Aço"

(*) Artigo publicado quando o professor completou 80 anos
Texto: Paulo Tarso Barros - http://twitter.com/paulotbarros













Abaixo, o poema que 
Alcy Araújo dedicou ao Mestre:

JARDIM, PODE 




(Ao cidadão do mundo Antônio Munhoz)



Como tenho sido pisado
espezinhado, espinhado, repisado
pela vida, pelos desencantos
e desesperos, angústias, desamores.



Canto a terra
a dor dos aflitos
e a inútil esperança dos desesperançados
também os negros, os índios e o verde
e presto relevantes serviços topográficos
demarcando itinerários de poesia




Quando eu morrer
alguma vereador
que leu ou sentiu meu verso
que sabe ou ouviu falar do meu cantar
apresentará projeto de lei
para que eu vire beco, rua ou avenida



Não quero esta homenagem
Recuso até ser praça
alameda, assim também parque ou estrada
Quero ser um teatro
um obelisco, uma escola
Academia, também não.


Rua, avenida, beco, não quero não
Não quero que continuem pisando em mim.
Pisar em mim,
só se eu virar jardim.













Leia a biografia completa do professor Munhoz baixando a obra "Personagens Ilustres do Amapá", de Coaracy Barbosa. Clique aqui para baixar







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O ano de 2012 foi escolhido pela Secretraria de Estado da Educação para homenagear o professor Munhoz. Dentre as muitas homenagens, destacamos a Aula Magna que ele ministrou no auditório do Juseu Sacaca no dia 11 de dezembro de 2012.
Abaixo, publicamos um texto do professor (e ex-alno do Munhoz) Paulo de Tarso Gurgel, que faz um roteiro do que foi a preleção do mestre nessa noite memorável, que aqui vai registrada através das fotografias.

ANTÔNIO MUNHOZ LOPES UMA DECLARAÇÃO DE AMOR AO AMAPÁ
Colégio Amapaense. O ano pode ser 1968, 69, 70, 71, 72, 73, 74. Toca a primeira campainha. Apressados todos os alunos sobem as escadarias do famoso Colégio Padrão. Sentados, aguardamos o Mestre. Toca a segunda campainha às 18h30. Britanicamente, ele entra em sala, sorridente e saúda a todos com um suave boa noite. Deve ser a segunda quinzena d...
e dezembro. Antônio Munhoz Lopes, titular da cadeira das disciplinas Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira do tradicional Colégio Amapaense, logo, ele é o catedrático. Inicia, então, mais uma de suas brilhantes aulas àqueles estudantes ali presentes. Com um olhar quase 43 (naquela época ainda não existia o meu olhar 43), observa como sempre uma carteira vazia, notadamente, o seu “dono” ainda não chegara.

E assim o mestre inicia a aula: – “Caríssimos alunos, na próxima semana faremos a nossa prova final. Os senhores e senhoras estão concluindo o 3° ano científico ou 3° colegial. Muito bem. Então, a nossa prova abordará os temas, as matérias que trabalhamos durante esses três anos. [O mestre faz que não escuta os murmúrios: “essa não”, “de novo”, “era só o que me faltava”, “isso eu já sei de cor e salteado”]. E isto vai muito ajudá-los nas provas dos vestibulares que vocês farão em Belém, para a Universidade Federal do Pará e, vocês amapaenses sempre abiscoitaram as vagas oferecidas naquelas instituições: a UFPA e FCAP- Faculdade de Ciências Agrárias do Pará.

– Lembremos: No 1° ano estudamos as origens históricas da Literatura Portuguesa, a língua portuguesa, esta uma língua neolatina como o espanhol, o italiano, o romeno dentre outras. O primeiro documento literário português escrito é a célebre “Cantiga da Ribeirinha” de Paio Caldeirós. Não esqueçamos do grande poema épico português de todos os tempos que é “Os Lusíadas” [Aí o mestre interroga e a plateia atenta responde: Luís Vaz de Camões] Continuando meus estimados alunos, [nisto chega o dono daquela carteira vazia – adivinhem – Rodolfo dos Santos Juarez e, como sempre, levou um belo “ralho”], não poderia neste momento de fazer, melhor dizendo trazer para os senhores, a titulo de colaboração para suas leituras complementares estas obras da Literatura Brasileira, tanto no romance como nos versos, copiem por favor, só irei pronunciar somente uma vez, então, vamos: vou tecer breves comentários sobre a obra e quanto aos autores é de vossas competências [murmúrios outra vez], Já. Valendo. Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro - plateia atenta e assopros - Joaquim Maria Machado de Assis; Vidas Secas - Graciliano Ramos; Os Sertões - Euclides da Cunha [interessante que, quando o mestre citava a obra, os nomes dos autores sussurravam baixinho entre todos os alunos]. Continuando - O Guarani, quem é o autor Rodolfo?, “hein, o quê?”... é o que dá chegares sempre atrasado, respondam pra ele e todos: José de Alencar. Ainda sobre o romancista de Messejana, Paulo Tarso Barros, você que é aluno ouvinte do Maranhão, como se inicia o romance Iracema? Prontamente o futuro poeta responde: “Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba”; Memórias de um Sargento de Milícias, de Manoel Antônio de Almeida; agora a obra que fala da decadência dos senhores de engenho do Nordeste, [me arvorei e falei Menino de Engenho, de Ariano Suassuna, errado; Fogo Morto de José Lins do Rego, o resto da aula fiquei calado] e uma obra que traz um Brasil que pouco conhecíamos: Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa.

– Vamos, continuando, estão cansados? Não, vocês são jovens e tem toda a energia do Paredão* para vos fortalecer. Os principais poetas brasileiros: O Boca do Inferno, como era conhecido o............................. Gregório de Matos Guerra; - um poeta altamente erótico [essa palavra causava calafrios em toda a sala] – Tomás Antônio Gonzaga – o Dirceu enamorado pela jovem Marilia – Maria Dorotéia de Seixas; Gonçalves Dias, de “Os Timbiras” e da “Canção do Exílio” e Zaíde Soledade declame a 1ª estrofe, e ela, levanta-se e obedece didaticamente:

“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como as de lá.
Não permita Deus que eu morra.
Sem que eu volte para lá!”

A plateia aplaude e pede bis.

– Temos o nosso poeta dos escravos, que morreu prematuramente, aos 24 anos de idade: Antônio de Castro Alves, suas obras “Espumas Flutuantes” e “Navio Negreiros”. Não esqueçamos da grande poetisa do “Romanceiro dos Inconfidentes” – Cecilia Meirelles.

– “No meio do caminho existia uma pedra” – o genial mineiro de Itabira – Carlos Drummond de Andrade, cujo poema “E agora, José?” transformou-se num grande sucesso musical na voz de Paulo Diniz.

– Crianças, ainda estamos no começo desta nossa aula, lembrem-se que na prova de 50 questões eu faço as perguntas e vocês escrevem apenas a resposta, de preferência que ela esteja correta. Não deixemos de mencionar o poeta pernambucano, autor de “Libertinagem” – Manuel Bandeira.”

O mestre, então, começa a declamar um poema:

“De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

– De quem estamos falando? Qual o título desta obra?
Todos respondem: Vinícius de Moraes – So-ne-to de Fi-de-li-da-de.

– Ainda temos Jorge de Lima com “Invenção de Orfeu”!

– São 22h20, ainda temos mais dez minutos e espero que não esteja cansando os meus diletos discípulos [“que é isso professor, pode mandar brasa”, grita a plateia, doida pra ir embora, mas bastante honrada com aquela aula, podemos dizer, “magna”]. Não devemos deixar de mencionar o primeiro documento literário no Brasil, escrito por Pero Vaz de Caminha, a Carta de Caminha, narrando sobre o Descobrimento do Brasil e já trazendo os primeiros sinais do nepotismo para a vida politica brasileira, a obra magnifica do missionário das Ilhas Canárias, precisamente de Tenerife – o beato José de Anchieta, o Padre Antônio Vieira com o célebre “Sermão aos peixes”, criticando os poderosos daquela época, numa igreja em São Luís do Maranhão. Ainda existe o púlpito de onde aquele grande orador proferiu esta sua magnífica obra; um outro nome: Antônio de Santa Rita Durão, Álvares de Azevedo que recebia influencia de Lord Byron, que por sua vez influenciava o Rodolfo (sempre o Rodolfo). Vejam o Naturalismo de Aluísio de Azevedo, com O Cortiço, Casa de Pensão, O mulato O Simbolismo com Alfhonsus Guimarães. Espero não ter esquecido de João Cabral de Melo Neto com sua “Morte e Vida Severina”.

Ainda faltam 2 minutos. Na literatura paraense citemos Inglês de Sousa, Dalcídio Jurandir e Lindanor Celina. Meninos e meninas, nesta aula de encerramento deste ano letivo, espero encontrá-los, quem sabe daqui a 20, 30, 40 anos, num local bastante agradável, com a graça de Deus e a presença de todos vocês. Até lá estarei oitentão, e alguns de vocês setentões, sessentões e outros passando dos cinquenta. Reafirmo neste momento que pelo Amapá o meu coração bate mais forte, pois aqui cheguei em 1959, com 27 anos de idade, a convite do governador Pauxy Gentil Nunes, irmão de Janari e Coaracy – o Amapá era conhecido como a “terra dos Nunes”. Vim para ser delegado de Policia, mas o magistério foi a minha grande paixão e agradeço a Deus por este momento e a presença de vocês, meus caros e eternos alunos.”

O mestre aproveita para alfinetar, metaforicamente, os desmantelos da ditadura militar que governava o país, e lembra o nome do grande religioso Dom Helder Câmara, arcebispo do Recife e Olinda.

De pé os alunos aplaudem o Mestre e cantam a música “Ao mestre com carinho”

(Aula proferida no auditório do Museu Sacaca em 11.12.2012).
*Paredão – antiga cachoeira no atual município de Ferreira Gomes, cujas forças d’água serviram para construção da 1ª hidrelétrica do Norte – a Hidrelétrica do Paredão, inaugurada em 1976.


Paulo de Tarso Gurgel (ao centro) ladeado pelo
professor Munhoz e por Paulo Tarso Barros

Paulo de Tarso Gurgel
Turismólogo. Licenciatura Plena em História
Aluno do “Munhoz”, no Colégio Amapaense nos anos de 1973/74.
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Fotografias da Aula magna ocorrida em 11/12/2012 no Museu Sacaca.


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CARTAS DO PROFESSOR MUNHOZ PARA A
PROFESSORA ESTER VIRGOLINO


Publicamos abaixo, com a anuência do professor Munhoz, algumas cartas que ele escreveu a sua grande amiga e companheira de magistério a professora Ester Virgolino.

Para ler as cartas, Clique nas imagens 
para ampliá-las!

Professora Ester da Silva Virgolino - 1978 (Arquivo de João Lázaro)



















MAIS FOTOGRAFIAS DO MESTRE







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