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15 de set de 2016

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ 7 - DANIEL LIMA



DANIEL LIMA



O hábito de escrever iniciou-se com a necessidade de manter o equilíbrio e a sensatez diante de um período fortemente marcado por uma enorme desorganização intrínseca. Visto que há uma tendência em repetir aquilo que nos dá prazer e acalma, sigo escrevendo e não penso em parar, porque a escrita me oferece sensações boas, ainda mais por ter se tornado algo vital em minha vida. Pode-se dizer que essa desorganização foi o pontapé para que eu me introduzisse à arte de escrever.
Na minha escrita percebe-se uma forte  inclinação filosófica, sobretudo em se tratando de poemas; já na prosa, há a forte presença da autora Clarice Lispector, por quem tenho inestimável apreço.
Servem-me de inspiração os conflitos psicológicos, o cotidiano, a estranheza e a maneira como este mundo incognoscível se manifesta para mim. A declamação de meus poemas acontece comumente em movimentos culturais, rodas de leitura, grupos de poesia e em festivais oferecidos por escolas públicas. Em resumo, a literatura como campo de criação humana é o meio artístico que faz de mim uma pessoa encontrável e sensata. (Daniel Lima)

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Nota:
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, em intervalos de 15 em 15 dias (mais ou menos!), neste blog, o maior número possível de novos poetas. O conteúdo e a revisão gramatical dos textos são de inteira responsabilidade dos seus autores.

Aguarde para breve mais um novo poeta!!!!
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TEMPO CARNÍVORO

Tempo, tu és um maldito carnívoro!
Passa atrelado junto aos dias
Devorando os fragmentos
Que compõem a minha matéria,
Absorvendo-me pouco a pouco.

Tu és a própria morte!
Assassinando-me lentamente.
És um matador que se esconde
Por detrás de minhas limitações.
A ida dos dias é o teu toque ímpeto,
Deteriorando a minha fisionomia,
Registrando em mim o teu típico rastro:
- Essa bendita velhice!




CORAÇÃO DE TERRA

Há tempos que não consigo plantar
Uma flor que seja em meu coração,
Nada é mais como aquela vastidão
Sublime que um dia existiu neste lugar.
Reviro a terra a fim de plantar a flor
Que, se germinar, a chamarei de amor,
Mas os dias passam e nada acontece
E a esperança aos poucos desaparece.
Não entendo, esta terra já foi fértil!
Era habitada por grandiosas árvores
E rodeada por esplendorosas flores.
Mas agora é um lugar totalmente hostil,
Um atoleiro nefasto capaz de sufocar
Qualquer flor que aqui se tente plantar.

FRAGMENTOS DE MIM

Tiram-me os fios
Que constituem
Minha tecelagem
Corpórea
Conforme caminho.
Levam-me embora
Com a passagem,
Atrelado nas idas,
Como um vento
Que passa
Pelas árvores
E arranca-lhe
As folhas.
E assim sigo:
De passo em passo
Um passado,
Um fio que se foi,
Uma folha que se
Desprendeu,
Pedaços que se foram,
Fragmentos de mim...

TEÇO-ME DE SONHOS

Tenho sempre a crença e por isso faço
De todo dia, a meta de um novo passo,
Porque os dias me trazem o recomeço
Que perpetua a bela vida que mereço.
Aproveito as dobras que o vento faz
E quando uma antiga meta se desfaz
Traço tantas outras... senão padeço. 
Por isso, são de sonhos que me teço!
É na folha do reinício que me refaço
Para tecer de sonhos o meu alento,
Reescrevendo nele o meu reinvento.
E quando a morte vier me arrebentar
E eu não mais puder me reinventar,
Destecerei no sepulcro e desfaço.




O MISTÉRIO DA FLOR

Qual borboleta no Jardim por fascinante
Desabrocha a flor pomposa e irradiante
Demonstrando o quão bonita é a vida
Nas suas pétalas tão opulentas e floridas.
Porém, tal beleza percebida tão solene,
Deteriora-se, então, por não ser perene,
Tal como a linda flor tendo de sucumbir
Ao vento, o qual lhe faz as pétalas cair.
As flores despidas ainda encantam,
Pois as pétalas que no chão estão caídas
Continuam magníficas por tão floridas.
Mas estando no chão até me espantam,
Pois as pétalas que lhe foram formosura
Agora enfeitam a própria sepultura!

LEIA-ME!




Chega de tentares
Ler-me com tal olhar
O qual tanto me flameja,
É sabido que me desejas!
Quero ser lido
Com a tua língua graciosa
E declamar o meu gosto
Em tua boca!
E senti-la percorrer
Por todo o meu mapa
Pessoal com a linguagem
Da fervorosa paixão
Em minha pele
(A qual se arrepia com
O efeito da tua presença),
A fim de manchá-la
Com o tom dos teus
Habilidosos lábios
E visualizar o teu rastro
Percebido nas pequenas
Pegadas dos teus beijos
Molhados em minha pele.
Então, leia-me!
Mas não com olhos flamejantes,
Leia-me com a língua!



RESQUÍCIOS

Às vezes, a vacuidade silenciosa
Aquieta meus pensamentos,
Trazendo à tona
Os resquícios que há em mim,
De tudo que já vivenciei.
E isso faz com eu me
Compare a uma roupa feita
A várias diversificações
De retalhos coloridos,
Que representam minhas
Experiências com as vestimentas
Ditas precisas e rotineiras
Com as quais me visto.
E cada peça de roupa
É mais uma vivida.
E quando se transformam
Em imprestáveis trapos
De tanto que as usei,
Restam-me uns meros retalhos
Surrados com os quais
Visto a minha memória.

SIMPATIA

Lembro-me quando toquei em sua mão,
Aquele aspecto físico adulto,
Mas um olhar de menina
Com semblante carismático.
Essa sua personalidade forte
Contagiando a todos que lhe circundam;
Com esse jeito meigo e gentil
Todo e qualquer lugar que seja hostil
Será preenchido por um oásis
Que você deixará com apenas um rastro.
Agradável é a sua presença
Sinto um toque de liberdade no ar.
Mas enfim...
Foi simpatizante aquele instante
E o adiante e você se foi,
Como pétalas de rosa carregadas ao vento,
Que por onde passa exala beleza que não se vende
E venera aqueles que sabem degustar
O verdadeiro sabor da amizade
Que será recordada indelevelmente por toda a realidade.

ROSA VERMELHA

Homenageá-la-ei com ternura
Neste poema que irá versejar
O teu aspecto de formosura,
O qual constatei com o olhar.
Tanto encanto, por assim dizer,
Faz-me em versos descrever
O tanto que a tua beleza afeta
A minha sensível alma de poeta.
Foi como intervenção urbana:
- Capturaste a atenção humana
Ao vê-la formosa exposta ao dia.
Então, em suas pétalas toquei.
De perto, o seu perfume inalei,
E uma boa sensação me possuía.





CÂNTICO À TARDE

De fronte com o rio que atrai
Ao som do vento qual canção,
Extasiando o momento vão
Na tarde inebriante que se vai.
À espreita, sentado sobre o chão,
A olhar o rio que está de fronte,
Admiro o inalcançável horizonte
Que enche meus olhos de emoção.
Na magia desse enleio me prendo,
No deleite dessa tarde me rendo,
E esse momento vou registrar
Para sempre dessa tarde lembrar,
Vou inspirar deste ar essa magia,
E declamar em palavras uma poesia.



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