Pesquisar este blog

4 de jan de 2008

POETA NAURO MACHADO

Paulo Tarso Barros e Nauro Machado
na Academia Maranhense de Letras (2008)



Estive na Academia Maranhense de Letras e tive a surpresa de encontrar o grande poeta Nauro Machado, considerado pela crítica um dos melhores poetas do mundo. Já o visitei anteriormente em sua casa, junto com Washington Cantanhêde e Airton Marinho (confrades da Academia de Letras), onde fui recepcionado pela escritora Arlete Nogueira, sua esposa. Nauro Machado é um ícone da poesia, autor cujo estilo denso e profundo o tornam uma voz singular, sendo reconhecido atualmente como um dos melhores poeta em atividade.

BREVE HISTÓRICO DE NAURO MACHADO

Nauro Diniz Machado (São Luís, 2 de agosto de 1935) foi um poeta e escritor brasileiro. É filho de Torquato Rodrigues Machado e Maria de Lourdes Diniz Machado. Foi casado com a também escritora Arlete Nogueira da Cruz. Poeta autodidata com vasto conhecimento em artes e filosofia. Comparado por alguns críticos a Fernando Pessoa, é original por ser poeta universal entre seus contemporâneos mais imediatos, como Ferreira Gullar, Lago Burnett, José Chagas e Bandeira Tribuzzi. Se Gullar questiona a própria forma poética, Nauro Machado questiona a própria essência e destinação do ser humano, sem deixar de cultivar uma linguagem poética e uma técnica de versos exemplares. Sua obra apresenta traços de reflexão existencial angustiada e violenta que encontra poucas comparações na lírica de língua portuguesa. Exerceu diversos cargos em órgão públicos entre eles DETRAN e EMATER e também na Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão. Nauro Machado sempre viveu em São Luís, ausentando-se apenas por breves períodos, sobretudo para o Rio de Janeiro para publicar boa parte de suas obras. No entanto, grande parte de sua vida Nauro dedicou à sua grande paixão, a poesia. Recebeu diversos prêmios, dentre eles Academia brasileira de letras e da União brasileira de Escritores; teve varias de suas obras traduzidas para o alemão, francês e inglês.

O poeta e escritor maranhense Nauro Machado morreu na madrugada de sábado, 28/11/2015, em São Luís após realizar uma cirurgia no intestino. Ele tinha 80 anos e estava internado desde terça-feira (24) em um hospital da capital.
Nauro Machado era um dos mais importantes literários da história do Maranhão. Tinha 37 livros publicados, foi um poeta autodidata que retratou através da arte sua visão e sentimento do mundo. Sua obra também foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL).


O ex-Presidente da República e membro da ABL, José Sarney, lamentou profundamente a perda de Nauro Machado. "O Maranhão perde um grande poeta. Nauro Machado talvez tenha sido a figura que mais produziu na poesia no Maranhão dos últimos tempos. Nenhum dos nossos poetas conseguiu fazer uma obra do tamanho e da profundidade de Nauro Machado. A sua vida era um poema e ele morre deixando uma obra insuperável que vai ficar na literatura maranhense e brasileira", disse.



Visita a Nauro Machado e Arlete Nogueira com meus confrades
Washington Cantanhêde e Airton Marinho
 *********************************

POEMA DO OFÍCIO

Ocupo o espaço que não é meu,
mas do universo.
Espaço do tamanho do meu corpo aqui,
enchendo inúteis quilos de um metro
e setenta e dois centímetros, o humano de quebra.
Vozes me dizem: eh, tu aí!
E me mandam bater serviços
de excrementos em papéis caídos
numa máquina Remington, ou outra qualquer.
E me mandam pro inferno,
se inferno houvesse pior
que este inumano existir burocrático.
E depois há o escárnio da minha província.
E a minha vida para cima e para baixo,
para baixo sem cima, ponte umbilical partida,
raiz viva de morta inocência.
Estranhos uns aos outros, que faço eu aqui?
E depois ninguém sabe mesmo do espaço 
que ocupo, desnecessário espaço de pernas
e de braços preenchendo o vazio que eu sou.
E o mundo, triste bronze de um sino rachado,
o mundo restará o mesmo
sem minha quota de angústia
e sem minha parcela de nada.




5 comentários:

Anônimo disse...

Tiago Corrêa Paulino
6-trad-f-n
IESAP
Na região amazônica existem diversos autores engajados em divulgar a arte literária produzida aqui. Para muitos é mais fácil que outros, visto a falta de patrocínio para a maioria, assim tentam fazer por conta própria mas nem sempre alcançam o resultado desejado.
As obras escritas na região possuem suas especificidades, como a reprodução da linguagem dos ribeirinhos, seus hábitos, mas com a preocupação dos leitores de outras regiões, os que não conhecem expressões aqui utilizadas, assim os autores acabam inserindo junto aos livros um pequeno vocabulário, contendo todas os termos regionalistas utilizados.
É preciso entender que a obra não é influenciada excepcionalmente pelo ambiente no qual está sendo produzida e sim pela inspiração e atual condição espiritual de seu autor, de modo a ser caracterizada por diversos meios e aspectos, tais como os relacionados à situação histórica, fomentando situações de cunho critico. O importante é que não seja presa a rotulagem, possa ser livre para espelhar momentos compreensíveis por diversos públicos de leitores.
Com essas textos é possível repassar para os leitores como funciona o mundo literário dentro da nossa região, com seus grandes nomes e os também não muito conhecidos.

Anônimo disse...

Danielle Batista Quintela
6-TRAD-I-N
IESAP
Diversas são as obras que aparecem em meio ao emaranhado de escritores da região amazônica, mas poucas são consideradas, pelos próprios escritores, como regionais, pois o que caracterizaria uma obra como tal seria o fato de ela conter expressões e referências ao cotidiano local, como o falar caboclo, o viver ribeirinho, o que não é verdade, visto a grande expansão relacionada à dinâmica de temas expressados em obras aqui escritas, sem a necessidade de conter ligações a algo tão centrado com o modo de vida e costume do povo que vive na região. É preciso entender que a obra não é influenciada excepcionalmente pelo ambiente no qual está sendo produzida e sim pela inspiração e atual condição espiritual de seu autor, de modo a ser caracterizada por diversos meios e aspectos, tais como os relacionados a situação histórica, fomentando situações de cunho critico. O importante é que não seja presa a rotulagem, possa ser livre para espelhar momentos compreensíveis por diversos públicos de leitores.

Anônimo disse...

Camila Tuma Achi Guimarães
6-TRAD-I-N
IESAP
Escrever obras que caracterizam determinada região, sem dúvida, não é algo fácil, é preciso conhecer histórias, condições de vida, vivenciar o cotidiano, mesmo assim muitas pessoas em nossa região se aventuram nesse caminho, alguns pecam e caem, outros conseguem construir trabalhos tão bons que alcançam certo reconhecimento diante de seu Estado ou até mesmo de toda a Amazônia, textos com linguagem simples outros mais rebuscados, uns com expressões locais que só são entendidas por quem as conhecem ou até mesmo texto escritos de forma a que todos que o lerem possam entender, sem problemas por questão do regionalismo, tornando assim mais fácil a distribuição de certas obras por todo o Brasil, quebrando barreiras linguísticas e culturais, transportando contos, poemas, romances e outros relacionados a contextos amazônicos, possibilitando o conhecimento de autores que trabalham com respeito e exaltação de sua terra natal, revelada entre palavras calmamente inspiradas em suas belezas e contemplações.

Anônimo disse...

José Sansão Souza Batista
6-TRAD-I-N
IESAP
Muitos perguntam se existe mesmo uma Literatura da Amazônia, defendendo a ideia de que o que existe mesmo é uma literatura produzida na Amazônia, mas se é produzido aqui, então é daqui, independente se o tema abordado em determinada obra não seja o que reflita a realidade, o cotidiano dos amazonidas, sem expressões normalmente utilizadas por aqui, relatando lendas, descrevendo o folclore. Se for um romance entre dois estudantes do ensino médio, tudo bem, qual o problema, visto que temos diversas escolas, até porque a região amazônica é formada por maravilhosas cidades, com seus campos educacionais, comerciais e industriais como qualquer outra região brasileira. Sendo assim, deve-se acreditar nos escritores que fazem trabalhos na Amazônia, com ou se temática ligada a ela, pois são eles que conseguem mostrar ao restante do país a literatura produzida aqui por diversos outros que não conseguem a oportunidade de distribuir seus trabalhos, pois não conseguem todo o apoio necessário.

Anônimo disse...

Petruska
6-TRAD-I-N
IESAP
Até hoje ainda se discuti se existe mesmo uma Literatura da Amazônia, pois o que é construído aqui não é considerado como tal por muitos; mas se é produzido na região amazônica por pessoas que nela habitam claro que deve ser considerada como Literatura, e não só como alguma produção, pois as obras dos escritores amazônicos possuem toda a essência dos moradores da região, seus costumes, a linguagem ribeirinha, expressão do folclore através da reprodução de contos e lendas. É assim que percebemos todas as características dos poemas, livros publicados por diversos escritores que aqui trabalham.
Muitos encontram dificuldades em divulgar seus trabalhos por falta de reconhecimento de vários setores da comunidade, tanto que é muito difícil encontrar registros sobre certos autores, tanto do Amapá quanto dos outros estados da Amazônia. Claro que a maioria procura o apoio para publicar seus livros, mas são poucos os que conseguem tal feito, e ainda assim enfrentam outra forte barreira, que é a da venda, tendo que disputar prateleira com obras de diversas nacionalidades, o que diminui o fluxo no mercado.