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29 de abr. de 2020

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ - 17 - NETO ROMANO

Nota:
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, neste blog, o maior número possível de novos poetas.
Esclarecemos que aqui não fazemos juízo de valor nem apreciação crítica (apenas a divulgação!), mas são livres os comentários e opiniões dos nossos leitores e internautas, desde que pertinentes e referentes aos textos -- e não ofensivos, é claro.
O conteúdo, revisão ortográfica e gramatical dos textos são de inteira responsabilidade dos seus autores, bem como o copyright.


                                   Aguarde para breve mais um novo poeta!




BURQA

Quero beber uma era inteira
Um pouco do meu suor
Quero mergulhar quente
No seu olhar congelado
Quero desvendar duas tempestades de areia
Viajar para os confins dos fins do oriente
Não seja altruísta
Não sou vilão
Não espere mil e uma noites de chibatadas
E o sangue azul manchando o mar vermelho
Enquanto eu me afogo na areia movediça
Que me leva ao hell
Estamos separados hoje
Pela terra, inferno e céu...

UMA NOITE COM ELA

Quero beijar o canto da sua boca
E tocá-la com a ponta dos meus dedos
Silenciosamente para que o mundo aplauda
Nossa forma de amor sem culpa
Culpa que morre sem ação
Ação que ocorre sem tempo
Tempo que não existe um instante...
Deixa-me saber como é estar vivo
Como é colocar os sapatos atrás da porta
E ver os olhos piscarem em um milésimo de segundo
E todo o clichê de Romeu apaixonado
Fui criado para amar-te sem entendê-la
Para cheirar sem desfrutar seu Chanel Nº5
E toda a velha mordida solidão das paredes
Confesso que nunca amei uma renda
Até ver sua calcinha azul piscina
Me pinica a pele e a arranco vorazmente
Como se o nu fosse a fonte da vida
E vida que brota da cama cala-se o som
Agudo e generoso quanto a água poluída
E todo aquele temor, passa como um filme de época
Nos cavalos negros sem direção.
Vivo um momento que não esperava
Vai além de dentes mordiscando o cérebro
Vazio dentro do mar de valiosos tijolos amarelos
E todos os bons pensamentos de Cássia Eller
E todo esperma que atrapalha a evolução não saiu de mim
Pois o seco não reproduz o ar vindo da rua
Nem tanto quanto a sua própria luz, lua.



NADA SOBRE ANJOS

Nunca conto que a chuva me faz feliz
E nem que pintar meu rosto como palhaço me faz bem
Eu sou pop, sou indie
Sou a aventura
Queria que as vitrinas estivessem cheias de felicidade
Azul pode ser meu interior
Cheio daquilo que a humanidade busca
A ignorante perfeição do imperfeito sem conserto
O amor se tornou lenda
De quando a guerra fria estava no projeto
Até os dias em que o cidadão se tornou um segundo plano
Vou celebrar minha manhã fria e sem cor
Pois acordar já é uma virtude
Queria grandes balões de ar
Pegar uma corda e voar na plenitude
Onde se escondem mistérios de ancestrais que nunca vi
Queria ver pessoas que ajudam pessoas a não cair
A não chorar...
E um arco-íris de plástico no quintal

A BAILARINA BÊBADA

Na madrugada adentro eu dormia
Não ouvia seus passos contados
Pensei estar atrasado para seu ensaio
Notei seu silêncio e chorei
Pois minha bailarina dormiu sem acordar
Uma taça de lágrimas em baixo da cama
Do lado um violão
E sua última composição
Falava de um amor negado
Por um vizinho mal-amado
O mal-amado sou eu
Ela se foi sem saber
Que meu coração era dela
E seu dançar, me fazia viver...


PÁSSARO ESTRANHO

Eu nunca fui de bandos
Ou de belos cantos
Eu nunca fui de folhas
Ou de amores eternos
Eu nunca fui de voar ao sul
Ou seguir o sol
Eu nunca fui livre
Apesar das asas.

ANALU

Você disse que me quer distante
Pra saber se realmente me ama ou não
Do outro lado da rua era sua casa
Hoje é bem longe daqui
Se você não demorar
Te espero pro resto da vida
O perto era muito distante pra mim
O longe se torna a substância do fim
Te juro amor eterno em pensamento
Mas meu coração não me deu resposta se concorda
Se você não demorar
Te espero pro resto da vida

CONECTO AMOR (FEAT. ANA ANSPACH)

No passar dos dias te vi em sonhos
Em mim correndo os pontos
Nada se faz triste com a sua luz
Nem a melancolia que um dia compus
Doces sons você me traz
Música e letra que me seduz
Meu corpo se deslumbra com o calor teu
Me vicia na fome de ser todo seu
Minha pele já tem o seu cheiro
E já não posso mais dormir
Sem sonhar em te encontrar

COISAS SELVAGENS

Todo o mundo se rende à dor do pecado
Os lábios secos e amargos no dia cinza
Deus nos deu vida para sermos bons nisso
Mas nunca aprendemos a valorizar
A calma derrama no chão como café frio
E os olhos param de se cruzar
Os nossos corpos trazem doenças para nos penalizar
Por toda vez que julgamos os bem vividos
Deus nos deu inteligência para habitarmos os espaços
Mas continuamos sendo selvagens sem rumo algum.



MAIS UMA DE AMOR (FEAT. JHONATAN SALES)

Juntando os dedos e fazendo a noite infinita
Há amor, se eu pudesse parar o tempo em um loop total
Onde estavas? que num minuto de demora uma vida passou
Não serei apenas algo passageiro eu sei
Amantes devemos ser, afinal poesia será nosso café
Te senti entre os braços e no calor do seu perfume
Amanheceu e ainda tinha você no meu quarto apenas de cuecas
Nunca teria imaginação para descrever o sentido
Saiba o quanto admiro seu olhar
Ainda que distante dele deva estar
Leve com você meu coração como presente
Espero que a carta que lhe escrevo tenha retorno
Só isso me deixaria feliz hoje, nos meus dias escuros.

CASTELO DE AREIA

Acreditamos em possibilidades
Tais que nos fazem crer na vida como deveria
Línguas matam
Línguas machucam
Construir o que se sonha é uma tarefa árdua
Quando a pedra é maior que o passo
Pés cansados
Pés pesados
Letras em clichê de carinho
Como se a realidade brotasse do escuro
Vista perdida
Vista embaraçada
Te tomo como aliado da luta
Luta perdida antes de seu início
Grito calado
Grito sem som
Rodeio o vento
Tentando agarrá-lo pra mim
Tempo perdido
Tempo esgotado
Posso inventar motivos
Para omitir uma felicidade
Alegria morta
Alegria torta
E se teu sucesso fosse a porta
Eu seria um superstar agora
Música lenta
Música baixa
E se eu te avistasse em uma rua sem fim
Voaria pra longe, de ti e de mim
Asa quebrada
Asa sem penas...
Caí...




MISOFONIA

Seu ar me frisa os dentes
Seu ar seco, cansado
Morto, desesperado
Repudiaste, moldaste
Agonizante, delirante
Repugnante, pare um instante...
Seu mastigar salivoso
Ardiloso, culposo
Meloso, com lábios
Pálidos, rápidos
Mágicos, mandados
Impensados, me dê espaço...
Seu corpo de mim sai
Com dor, odor
Amor, frescor
Dignidade, saudade
Piedade, habilidade
Santidade, disparate...
Do corpo ao outro
Do pelo ao pelo
Do vento ao tempo
Da chuva ao sol
Do pecado ao pedaço
De tudo ao nada
Do completo ao exagerado
Eu e você, camas de concreto...

NOSSO ANTIGO PLURAL

Você me abraçou sem preconceito de amar
Me tirou a maldade que engoli por me machucar
Aquele velho amor no qual brinquei com fogo
E hoje não o toco nem por um segundo solto
O filme recomeçou e eu sou protagonista
Da mesma cena de desejo e louco a vista
Deixa eu acreditar dessa vez no melhor
Não me cuspa, pois eu sei que não é o meu pior
O livro acabou em linhas rabiscadas demais
E eu continua sendo o mesmo pequeno rapaz
O seu vazio foi e voltou várias vezes
Eu por milhões de horas repeti o erro
Matei minha alma com amor vagabundo
E são os únicos produtos atuais deste novo mundo




CRESCENDO COMO UM SERIAL KILLER

Um copo de vinho tinto
Dentro um diamante bruto
Meus pés já não sinto
Me sinto um imundo
Meus lábios secos e sem cor
Meus pensamentos vazios
meu coração sem amor
Abandono e frio
Minha arma no chão
E minha boca na tua
O vento em direção
Da tua pele nua

DUPLA FACE

Sou limpo
Sou sujo
Sou amigo
Sou injusto
Sou a vida
Sou a morte
Sou a armadilha
Sou a sorte
Um retrato vazio
Um reflexo rachado
Um cisco sutil
Um grande amassado
Um homem
Um indigente
Um monte
Um inexistente




DECISÕES DA MEIA-NOITE

Nada será como antes
Eu devo entender
Vivo em um mundo delirante
Sem nunca sofrer
Meu travesseiro guarda segredos
Que talvez eu nunca conte
Uma mistura de lágrimas e dedos
Sou como uma fonte
Extravasando todo meu ar
Em milhares de gotículas
Vou revirando sem respirar
Em emoções tão vividas
No meio do universo
Ao contrário do sol
Quero caminhar no eterno
Desatar de pequenos nós
A essência já deve
O chamado ou oração
Vou em passos leves
Como um sopro de canção
Vou deixando o ponteiro rodar
Em silêncio sou inteiro
Me fazendo o choro estancar
No meu silenciado desespero

...................





INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR



Carlos Alberto de Oliveira Romano Neto, mais conhecido com Netto Romano ou apenas ROMANO, é um poeta, escritor e compositor de 26 anos, nascido em 24 de Junho de 1993 em Belém, passou a morar na cidade de Macapá a partir de dos 2 anos de idade, descobrindo a escrita e a arte em sua adolescência. Romano já participou de diversas produções, principalmente músicas (músicas e clipes), na poesia sempre está divulgando seus trabalhos em blogs e redes sociais. Integra o Grupo de Artes Pena & Pergaminho desde 2017 e atualmente possuí 3 livros disponíveis em uma plataforma digital: AS AVENTURAS DO AMANTE UNIVERSAL (com mais de 3 mil leituras, tratando-se de um livro de contos eróticos); "NADA" SOBRE ANJOS (livro de poemas, poesias e textos, com mais de 1,9 mil leituras) e o mais recente JUVENTUDE VIOLENTA (conto de horror / ainda em publicação),  além de seus trabalhos musicais com artistas locais e regionais disponíveis em plataformas de músicas e vídeos. Atualmente Romano vem produzindo Áudio Poemas (poemas em formato de áudios musicados) com obras de escritores locais e regionais, além de suas próprias obras. Em breve será disponibilizado gratuitamente com 14 faixas.


https://youtu.be/VYxvuPSzBT4 (áudio poema / pesquise por outros no mesmo canal)

https://my.w.tt/C9ZShrw6M5 (Livro: "NADA" SOBRE ANJOS)

https://my.w.tt/QL2CGEB6M5 (Livro: AS AVENTURAS DO AMANTE UNIVERSAL)

https://youtu.be/TjhstfIEugk (Clipe Felipe Sena - Quero Ver Quicar)

https://youtu.be/6st29RT5XWc (Clipe Rafel Esteffans - Deixa O Corpo Falar)



Se espelhando na cultura Pop, Geek, Indie e ArtPop, Romano traz essa temática para suas obras e estética de compartilhamento em suas redes sociais.




19 de abr. de 2020

SÉRIE NOVOS POETAS DO AMAPÁ - 16 - NEGRA AUREA

Nota:
Esta série vai prosseguir até que possamos publicar e registrar, neste blog, o maior número possível de novos poetas.
Esclarecemos que aqui não fazemos juízo de valor nem apreciação crítica (apenas a divulgação!), mas são livres os comentários e opiniões dos nossos leitores e internautas, desde que pertinentes e referentes aos textos -- e não ofensivos, é claro.
O conteúdo, revisão ortográfica e gramatical dos textos são de inteira responsabilidade dos seus autores, bem como o copyright.


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CONSCIÊNCIA DA MULHER NEGRA


Fui classificada ao máximo na cor, na aparência, na estatura.
Na fala, no beiço, nariz e cabelo, a custa de pau, pão e pano.
A Diáspora traçou meu destino, Mama África ficou para trás.
A dor que imperava no “Tombadilho”, era que liberdade, eu não tinha mais.

Ao avistar a terra do novo mundo, apesar da beleza natural.
Foi-me imposto costumes e um nome, me distanciando de meus ancestrais.
Mas não puderam calar minha voz, meu tambor, meu afoxé, meu berimbau...
Meu jeito, meu credo, minha dança, incomodava destemidas rivais.

Muitas lutas eu resisti, no quilombo me refugiei.
Pus em prática o que de raiz aprendi, pois esse chão era minha nova grei.
Regado com sangue fraternal, liberdade no papel alcancei.
Pura demagogia racial, não foi inclusa no social.

Mesmo sendo parte do global, pelas conquistas de direitos, lutei.
Mas a nomenclatura magistral me resumia apenas aos três ps.
Difícil ser negra, em plena política do branqueamento.

Hoje com as conquistas vindouras, tenho meu livre arbítrio.
De mostrar o que sou e o que faço, afirmo-me do pó ao aço.
A minha identidade reflete pura beleza.
Que rufem os tambores, pois quero dizer:
“Viva a Consciência da Mulher Negra”!


AMAZÔNIA DE PÉ


Úmida floresta da América do Sul.
Refletes em tuas águas, o imponente céu azul.
Influencias o equilíbrio ambiental.
Ao planeta tens papel principal.
“SOS Amazônia”, grita quem sabe amar.
Quem em seus rios se banha e nas matas a fome vem saciar.
Verdejante, majestosa, obra-prima imperiosa.
No rebojo das falácias, minhas lágrimas copiosas
Molhando o rosto que estremece, da brutalidade asquerosa.
Líderes sem escrúpulos, não veem o absurdo.
Que podem causar dores, a ti floresta e aos moradores
Visam ser a razão, derrubar-te em teu próprio chão.
Acordos milionários, ferem direitos minerários
Ao extrair do teu interior recurso de mui valor.
Oh!  esfera monumental! De fauna e flora excepcional.
O povo da floresta não abre a guarda.
Indígena, quilombola, ribeirinho e muito mais.
A Renca é um alento pra esta esbelta nação.
É ordem e progresso? Ou desordem e extinção?
Recua o inimigo movido pela pressão.
Manter a vigília, já!, suspender não é revogar.
Vai que o inimigo resolva, com a caneta rabiscar
Comprometendo o destino de todos os amazônidas.
Por ti, todos juntos, num grito de fé:
 “Queremos a Amazônia de pé”


RIO AMAZONAS

Desfilas tuas ondas nas correntes do teu leito.
Onde permeiam aturiais, maçaricos,
No mesmo espaço marítimo.

Dias ensolarados, noites enluaradas,
Metamofosam tuas águas,
Camaleando o placar,
Ora ouro, ora prata.

Barrenta, cristalina e turva,
Fria, quente, clara, escura,
Brilham, brilham em noite de lua.

Com ciliares altas e frondosas,
Fauna e flora relicárias.
Clorofilam os olhos meus,
Celeiro natural, paraíso cultural.

Jaz em ti meus ancestrais.
Do ribeirinho és o caminho,
Correntezas que banham artistas,
Que vivem no palco da vida.

Imponente Rio-mar,
Fissuras o cais, com tua fúria.
Mostrando a todos tua bravura.

Teu rito pluvial
Tem grande potencial.
Deleite popular,
Costume milenar.

Hidro-Amazônia histórias,
Guardadas em nossas memórias
Dos repiquetes que desembocam,
Lançantes, marés, pororocas.

O gingado de tuas ondas,
Balanceiam, balanceiam,
Como as voltas das saias,
Das negras marabaixeiras

Oh! saudoso Amazonas
Quem não conhece não sabe contar
Quem toma de tuas águas
Encantam-se no dessedentar

Oh! Rio-Mar
Quão lindo é o teu bailar
Em cada ângulo ocular
Quero em ti minha’alma banhar.

Oh! saudoso Amazonas!
Quem te conhece sabe contar.
Quanto ao teu desfilar,
Em frente de Macapá.



NICHO DE IDENTIDADE


História de negros
Atravessam séculos de resistência.
Da África para o Brasil
Contribuindo com arte, garra e ciência.

Trajetória, memórias, práticas sociais.
Visíveis e vivas, nos traços culturais.
Riquezas presentes em plena Amazônia
Combatendo sempre ideias antagônicas.

Amapá! Amapá! Sempre porteira
De persistentes laços na fronteira.
Em seu solo a cultura floresce.
De Norte a Sul, o legado enaltece.

Nicho de identidade.
Cheiro, sabor, tom e imagem.


MACAPÁ

Macapá, terra boa de morar.
Bonita mata! lindo céu!
Há beleza no Rio-Mar!
Pedra do Guindaste, aves a voar.
Saúda quem está a chegar.

Sentinela Altaneira.
Com o nome de palmeira.
Recanto sagrado e amado,
És riqueza brasileira.

Com olhar de vencedores,
E amor no coração.
Ao som de flauta ou tambor,
Cantamos a sua canção.

Bacaba, Macapá.
Origens Tupis,
Raízes quilombolas.
Vislumbra a glória,
Ao anoitecer, desde a aurora.

É grande a diversidade
Da iguaria regional.
Exaltam a fauna e a flora,
Nativas neste local.
Deleite é a Linha do Equador.
A Fortaleza é um primor.
O Rio Amazonas é viril.
Encantos da terra varonil.

Capital no Meio do Mundo.
Macapaba, Tucujulândia,
Metropolitana, Morena açucena,
Joia da Amazônia.

Tens Áurea Auriflama,
Que enaltece a quem povoa.
Que aguerridos e militantes,
Seguem firmes e triunfantes.

Em plena época de desmonte,
Marea na resistência.
Combatendo a diplomacia,
Com arte, garra e ciência.

Com seu artesanal
Embala os festivais.
É forte o manancial
Das manifestações culturais.

Parabéns a Macapá!
Do Marco Norte ao Marco Sul.
Brilhai como o Equinócio!
Adorável terra Tucuju!



IGARAPÉ DAS MULHERES

Igarapé, Igarapé das Mulheres,
Onde o lavar e espremer,
Expressa a rotina do viver.

Igarapé das Mulheres,
Onde a cantoria enaltecia,
Laços de companhias.

Igarapé das Mulheres,
Hoje lavas a lida,
Das produções agrícolas.

Igarapé das Mulheres,
Espremes teu natural,
Com crise ambiental.

Igarapé das Mulheres,
Do peixe, do camarão,
Te amo de coração.




MAZAGÃO

Mazagão! Oh! Mazagão!
De Mazagão africana,
Para a Mazagão Brasil.
Mazagão do Amapá,
Mazagão do Rio Mutuacá

Do bélico à agricultura
Mazagão não morreu.
Verdadeira regeneração,
Através da fertilização.

Nome de origem Árabe,
Traduz criatividade, coragem.
Lider, pioneiro, independente.
Mazagão de afrosdescendentes.

Epidemia e viradeira,
Épocas de grandes asneiras.
Hoje Mazagão floresce,
O crescimento prossegue.

Localidade histórica
Com suas regiões bucólicas
Cachoeira e paisagens naturais.
Fazem grandes diferenciais

De combatentes a lavradores
Avante, mazaganenses!
Autoestima, fortalecimento,
Acolhida, pertencimento.

Festa de São Tiago
Pombinhas do Divino.
Recital das preces.
O tocar dos sinos.
O rufar dos tambores,
A peleja entre cristãos e mouros.
História, trajetória, memórias...

Mazagão ancestral e atual
É Mazagão cultural.
Cantinho do Norte,
De população nobre.

Seu tradicional rito religioso,
Cavalhada, encenação.
Aparição do Santo protetor
Cujo povo cultua com amor.

Mazagão! Oh Mazagão!
De Mazagão africana,
Para a Mazagão Brasil.
Mazagão do Amapá,
Mazagão do Rio Mutuacá
Quero te ver sempre brilhar.


MUNICÍPIO DO ITAUBAL DO PIRIRIM


É com muito prazer
E grande satisfação.
Que estou a homenagear,
As terras deste Torrão.

E desta vez vou mencionar,
O município de Itaubal.
Que cresce culturalmente,
Com grande potencial.

Um recanto no Sudeste do Amapá,
Que a todos contagia.
Pois, sua beleza natural,
É de esplêndida magia.

Seu topônimo vem da itaúba,
Madeira de lei comercial.
Na flora nativa era abundante,
Pois deu nome ao local.

Cortado por rios e lagos,
Exibe sua diversidade.
Como parte da Amazônia,
É uma exuberante localidade.

Famílias, vindo do Bailique,
Em busca de terra pra morar.
Pra trabalhar com lavoura,
Queriam uma terra boa.

Com o passar do tempo
Chegaram levas de imigrantes.
E o pequeno povoado,
Tornou-se um vilarejo deslumbrante.
Mais tarde, de Distrito a Município,
O povo logo preferiu.
Itaubal do Piririm,
Fica à margem direita do rio.

Lugar que se planta e dá,
Se tiver a manha de cultivar.
Com a enamorança da lida,
Quem planta amor, colhe guarida.

Tem como padroeiro São Benedito.
Respeitado, aclamado e mui querido.
Prestigiado com devoção pelos itaubalenses,
Aumentando a fé de amigos e parentes.

Na segunda quinzena de dezembro.
É o festejo do Santo Protetor.
Vem gente de toda a direção,
Prestar-lhe grande veneração.

A reverência resulta,
Em bastante fé e folia.
A cidade resplandece,
Com múltiplas regalias.

Tens evento marajoara,
Oh! Piririm do Amapá.
Grande espontaneidade!
Como criança, vives a bailar.

Ergue forte teu Brasão!
Hasteia tua bandeira!
Ao som de bela canção,
És da nação brasileira!


Com identidade própria,
Liberdade e soberania.
Tens honra e dignidade,
Contra toda tirania.

Gente linda, gente amiga.
Encanta quem vem visitar.
Fauna e flora numerosa,
Deleite do Amapá.



QUILOMBO

Lugar arejado, núcleo de resistência.
Quilombo, mocambo ou terra de negros, fortificação.
Lugar arejado de meus antepassados.
Que hoje evolui com a cultura de um povo miscigenação.

Quilombo é habitação, quilombo é evolução.
Tem escritores, jornalistas, tem poetas e muitos artistas.
Quilombo é meu próprio chão, que amo de coração.
É um espaço natural que cultiva o cultural.

Quilombo é criatividade, quilombo é irmandade.
Tem um jeito diferente dos que vivem na cidade.
Quilombo vive a bailar nas cantorias que tem por lá.
Quilombo é assim é pra viver e ser feliz.

Quilombo é garra, é raça, quilombo é a nossa casa.
Trabalha com a natureza e faz dela fortaleza.
Quilombo é um pedaço da África em plena Amazônia.
Que dança Marabaixo e faz suas cerimonias.

Quilombo não é só tranquilidade, é luta pela equidade.
Hoje faz sua resistência com arte e ciência.
Quilombo é manifestação pela posse e preservação.
Quilombo é um aglomerado, é um abrigo considerado.


QUILOMBO DO AMBÉ


Indo por fora na BR 156
Ou por dentro, na AP 210.
A 80Km de Macapá
Está a comunidade do Ambé.

Ambé era um cipó.
Que existia em grande quantidade.
Desse vegetal resultou,
O nome da comunidade.

População agropecuarista.
Campo verdejante, bela pastagem.
Famílias do Rio Pedreira
Formaram essa irmandade.

Manoelzinho do Ambé.
Um grande desbravador.
Que achando terra fértil,
Pra lá sua família levou.

Picanços, Pereiras e Souzas,
Ali miscigenaram.
Com Ramos, Silvas, Machados, Prazeres,
A vila povoaram. 

Tem igreja com mirante
São Roque é o padroeiro.
E os moradores festeiros.

Agosto é de devoção,
Coração de gratidão.
Foco nas ladainhas e procissões.
É festividade! É comemoração!

E a cultura se instala
Com baile e marabaixo.
Jogos, bingo e leilão,
Corrida e muita diversão.

Afirmação identitária,
Resgate da própria história.
Faz do lugarejo Ambé
Uma Comunidade Quilombola.

No dia a dia presença marcante,
De diferentes formas de produção,
Com consciência de empreendedores
No retirar e repor com precaução.

Cantinho nobre do Amapá,
Um reduto na sociedade.
Que estás sempre a lutar,
Por conquistas e identidade.

O canto da liberdade
É entoado com fé.
Viva a cultura dos afros!
Da Comunidade do Ambé.




COMUNIDADE QUILOMBOLA DO CRIAÚ


Das palavras cria de criar e mú de gado
Formou-se a palavra Criamú
Que com o passar do tempo
Evoluiu para Curiaú      
     

Cria-ú de fora, Cria-ú de dentro
Cria-ú debaixo, Cria-ú de cima
É uma linda vila
Você nem imagina!

Localizada na AP-70
A 12km de Macapá.
De fauna e flora diversificada
Lugar bom pra se banhar.

Tempos atrás era apenas um lugar
Onde negros escravizados vieram morar.    
Refugiados sim, mas para garantir
A liberdade que temos aqui.

Hoje considerada como APA
(Área de Preservação Ambiental)
Para que a população e seus recursos
Mantenham sua beleza natural.

É uma Comunidade Quilombola,
Peixes! Garças! São a graça do lugar.
Marabaixo e batuque
No terreiro da tia Chiquinha.
A cultura negra está presente
Na história do Amapá

Salve a Santa Maria
Salve São Joaquim
E salve o Santo Antônio,
Que são padroeiros daqui       
Pois no toque do tambor,
Minha vida é um esplendor!      
Quilombo é habitação.

Quilombo é evolução.
Tem escritores, jornalistas,
Tem poetas e muitos artistas
Quilombo é o meu chão,
Que amo de coração.




COMUNIDADE QUILOMBOLA MARUANUM


O Distrito do Maruanum,
Localizado a sudeste do Amapá.
É uma comunidade quilombola,
A 80 km de Macapá.

Originou-se de uma tribo indígena,
Que habitava na região.
Maru e Anum foi o último casal,
Que restara naquele local.

Alguns escravos fugitivos
Chegaram com potencial.
Tornando-se novos moradores,
Mudando o Contexto cultural.

A maioria da comunidade      
São remanescentes de africanos
Que fugiram da escravidão
No período da Colonização.


Bem recebidos, pelo casal de índios,
Os quais quiseram agradecer.
Juntando as palavras: Maru e Anum,
O nome da comunidade veio aparecer.

Maruanum, lugar de ecoturismo,
Com fauna e flora, presença natural.
Com campos e várzeas, beleza exuberante!
Destacando seu poder artesanal.

Técnicas de negros e índios.
Senhoras artesãs abraçam o legado.
Associação de louçeeiras,
Praticando a arte com barro molhado.

É uma comunidade estrutural,
Valoriza o ecológico e o cultural.
Um pedaço da África em plena Amazônia,
Que dança Marabaixo e faz suas cerimônias




COMUNIDADE QUILOMBOLA TORRÃO DO MATAPI


Torrão do Matapi
Iniciou com um cafezal
O Sr. José Arthur Torrinha
Era dono daquele local.

Situada na BR-156
Na Rodovia Macapá–Jarí
Em cima de um grande Monte
Formou-se a Comunidade do Matapi.

Seu Pedro Mendes e D. Cândida
Negros, escravos de Mazagão
Vieram com toda a família
Morar naquele Torrão.

Como caseiro no cafezal   
Trouxe o sustento ao seu lar.
Seus filhos cresceram e se casaram
Formando uma comunidade familiar.


Com o sumiço do Sr. Torrinha
E de Pedro Mendes, a eternidade.
Seu Benedito, o Bilozão
Registrou em seu nome a propriedade.

Distribuindo a cada irmão
Um pedaço daquele chão.
Surgiram mais duas vilas,
Trazendo grande transformação.

São Benedito é o padroeiro
Daquela localidade, o principal.
Mas ainda tem a Sra. de Assunção,
E São Tiago do Torrão.

Ali, o folclore é marcado
Pela cobra grande que apareceu
Assustando toda a população,
No Porto do seu Bilozão

É uma história verídica
Que resultou em composição.
Cantada e tocada por Ronaldo Silva
Com muita inspiração.



COMUNIDADE QUILOMBOLA DO CURRALINHO


“É ali, lá no curralzinho”
Era assim que todos diziam.
E por causa dessa expressão,
Todos, esse lugar, conheciam.

É um cantinho sossegado,
Gente chegando bem de mansinho.
Da Ilha Redonda e do Criaú.
Formando o Curralinho.

No início, só tinha um capoal,
Pois era um pequeno curral
Que bicho nenhum cercava,
Mas deu nome ao local.

Curralinho é uma comunidade nova
Que tem apenas 90 anos.
Com muita história e tradição,
Quem deu nome foi seu Mariano.

Na BR-210 fica situada,
A 11 km de Macapá.
Depois do Posto Policial,
Dobrando à direita, num ramal.

Os comunitários vivem de roça,
De horta e criação do quintal
Pra alimentar as famílias
Ou vender nas feiras da Capital.    

Os Programas Federais
Ajudam também esse povo
Que faz voto profundo
Na festa de São Raimundo.

No culto ao Glorioso Raimundo,
Que é santo de devoção,
Quando começa a festança,
Vem gente de toda direção.

Do curralzinho a Curralinho,
Tornou-se uma grande comunidade.
Que evolui culturalmente,
Com seus afros remanescentes.




VISTA A MINHA PELE

De uma terra muito distante
Vieram os negros para o Brasil.
Deixando famílias, riquezas e amigos
Pra construir um novo País.

Destruíram seus mocambos
Negro morreu de banzo
Despojaram seus ideais,
Abafaram sua cultura demais.

Aqui neste País,
Terra de encantos mil.
A luta de Zumbi,
Valeu pra mim e pra ti.

Mas o rufar dos tambores,
E a sinfonia do berimbau,
Tornou meu quilombo ideal.

E com a Lei 10.639,
Minha escola ficou forte.
Do currículo escolar,
Vou então participar.
Hoje tenho felicidade
Em poder declarar minha identidade.

Sou Negra!
Sou negro!
Vista a minha pele!
Vista a minha pele e venha comigo sambar.
Vista a minha pele e capoeira vamos gingar.
Vista minha pele e vamos todos marabaixar.



MULHERES EMPODERADAS

Marabaixo é tradição no quintal da tia Chiquinha
Marabaixo é tradição com Gertrude ou tia Venina
Marabaixo é tradição com floridas indumentárias
Marabaixo é tradição com Danielle, Naíra e Laura.

Pega de cá, ou pega de lá, todas vieram pra somar.
É a mulherada empoderada no Estado do Amapá.
Então pega de cá ou pega de lá, roda a saia sem parar
É a mulherada empoderada no Estado do Amapá.

Marabaixo é tradição lá em Mazagão.
Verônica dos tambores toca um ladrão!...
Marabaixo é tradição em Campina Grande.
Chama a Del e pega as caixas
Que tu vai ver o que é cantar, comadre.

Marabaixo é tradição, as moças do meu Torrão,
Com suas saias rodadas, volteiam no barracão.
Marabaixo é tradição, pra toda geração.
Tem meninas que não perdem um arrasta-pé no salão.


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Maria Aurea dos S. do Espírito Santo
Negra Aurea



INFORMAÇÕES SOBRE A AUTORA

        Maria Aurea dos Santos do Espírito Santo, que adotou o nome literário de “Nega Aurea”, nasceu em Igarapé-Miri no Pará em 23 de setembro de 1971 e desde a adolescência criara alguns rabiscos poético.
        Mora em Macapá desde 1996. É Mestra em Ciência da Educação pela UNINTER- PY.
        Quando aqui chegou observou o legado cultural que tinha o povo amapaense relacionado aos tucujulenses e aos afros brasileiros.
 Identificou-se com a cultura de seus ancestrais e teve oportunidade de aguçar a luta de resistência contra toda e qualquer tipo de prática pejorativa. Participou de vários debates, movimentos sociais, conferências, festivais de músicas, sentiu vontade de contribuir com a literatura local, dando visibilidade à mulher negra na poesia. Para tanto compôs livres temáticas, com as quais se destacou. Foi em defesa da Relação Étnico-Racial. Ao notar sua história nos livros didáticos, parada no tempo e no espaço, trouxe um novo olhar poético, baseado nas correntes humanistas, a fim de serem exploradas pedagogicamente.
Dona de um estilo muito pessoal, fala e escreve com propriedade, o que tornam seus textos dignos de atenção dos leitores e da crítica.
Maria Aurea dos Santos é Acadêmica Correspondente da Academia Igarapemiriense de Letras (AIL), faz parte da ALIEAP – Associação Literária de Escritores no Amapá e participa ativamente dos eventos literários do Estado do Amapá. É também uma das precursoras do Movimento Literário Afrologia Tucuju, movimento próprio do Estado do Amapá que visa a valorização do povo negro através das diferentes temáticas como: Historicidade, subjetividade, religiosidade e autoestima do negro.
Maria Áurea é educadora e procura incentivar a adesão de novos leitores e escritores, através de seus recitais, oficinas de construção poética, saraus e palestras.
 É a sua forma de contribuir com o desenvolvimento da literatura poética, sendo a escrita, a forma artística que utiliza para desbravar a liberdade de expressão, fazendo de sua consciência identitária, sua bandeira de luta.
Em seus textos é possível encontrar uma vasta experiência ao escrever a vivencia do povo brasileiro, com destaque à Amazônia Negra.
A poetisa Maria Aurea possui como contato: (96) 991743388 (Wat), e-mail: aurea.santos10@gmail.com, suas poesias podem ser encontradas no Recanto das Letras: Aurea Santos e seus vídeos no canal do Youtube: Negra Aurea; Instagram: “negraurea” e facebook: Maria Aurea dos Santos.