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13 de jul. de 2015

O PROCESSO DE INCLUSÃO EDUCATIVA DE DEFICIENTES (ARTIGO CIENTÍFICO)

O PROCESSO DE INCLUSÃO EDUCATIVA DE DEFICIENTES: alguns aspectos históricos legais e a religiosidade[*]


Sânzia Fernandes Brito**
José Adriano Filho***
RESUMO

Esta reflexão bibliográfica reflete sobre a evolução do processo educativo de inclusão das pessoas com deficiências, diferenças e diversidades culturais. Discute dois tópicos: primeiro alguns princípios históricos evolutivos desde a Antiguidade grego-romana aos dias atuais. Em segundo, alguns aspectos das leis que asseguram todos os direitos à inclusão para as pessoas consideradas com necessidades educativas especiais. Assim foi selecionado alguns tópicos para compreender melhor o processo histórico e a evolução da educação especial de inclusão. No segundo momento foi levantada a legalidade dos direitos por meio da leitura de alguns princípios das leis sobre a temática, apresentamos o viés da religiosidade (presença ou ausência) como parte da inclusão. Após isso, e como guisa de conclusão, observamos que a capacitação dos profissionais envolvidos no processo de inclusão educativa e da religiosidade deve oportunizar a aprendizagem em igualdade de condições tanto para pessoas ditas “normais” quanto para com as necessidades especiais. A religiosidade deve permear a vida de todo e qualquer cidadão, independente das deficiências, diferenças ou diversidades.

      Palavras-chave: Deficiências. Educação. Religiosidade. Inclusão.
   
ABSTRACT 
 
This bibliographical reflection contemplates about the evolution of the educational process of the people's inclusion with deficiencies, differences and cultural diversities. He/she/you discusses two topics: first some evolutionary historical beginnings from the Greek-Roman Antiquity to the current days. In second, some aspects of the laws that assure all the rights to the inclusion for the people considered with special educational needs. Some were selected like this topics to understand the historical process and the evolution of the special education of inclusion better. In the second moment the legality of the rights was lifted through the reading of some beginnings of the laws on the thematic, we presented the inclination of the religiosity (presence or absence) as part of the inclusion. After that, and as conclusion mode, we observed that the professionals' training involved in the process of educational inclusion and of the religiosity it owes oportunizar the learning in equality of conditions so much for normal " said " people as to the special needs. The religiosity should permeate the life of whole and any citizen, independent of the deficiencies, differences or diversities. 
 
    Word-key: Deficiencies. Education. Religiosity. Inclusion. 

Introdução
Este texto é fruto de pesquisa bibliográfica e reflete a evolução do processo de inclusão educacional da pessoa com necessidades especiais.  Primeiro os aspectos da história, dos povos primitivos, Grécia, Roma e contribuições de outros países. O segundo é o desenvolver dos direitos da pessoa com necessidades especiais conforme os princípios do ordenamento jurídico nacional e mundial. Tópicos da Constituição Federal de 1988, e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e outros princípios legais. Para atender as exigências acadêmicas do curso de Mestrado em Ciências das Religiões.
O objetivo foi analisar como ocorre a religiosidade no processo de inclusão das deficiências diversas conforme as leis e os direitos humanos defendidos hoje, não são permitidos nenhuma forma de exclusão, manifestação que denigre ou ofende a integridade humana por discriminação a deficiência ou diferenças de etnias, sexo, cor ou preferência religiosa.

2. Inclusão: Um processo histórico
2.1 O Foco Primitivo e da Antiguidade Grega
As tribos se formaram e com elas a preocupação em manter a segurança e saúde dos integrantes do grupo para a sobrevivência. Os estudiosos concluem que a sobrevivência de uma pessoa com deficiência nos grupos primitivos de humanos era impossível porque o ambiente era muito desfavorável e porque essas pessoas representavam um fardo para o grupo. Só os mais fortes sobreviviam e era inclusive muito comum que certas tribos se desfizessem das crianças com deficiência (GURGEL, 2007).

A história das deficiências esteve presente na literatura de várias sociedades, como o Egito e Mesopotâmia, algumas referências versam sobre a exclusão das pessoas deficientes como “imbecis” e “não educáveis”, eram vistas como aberrações e ser primitivo, que não poderiam ser educados. Ideia que persistiu até o século XV quando viviam totalmente à margem da sociedade em exclusão total. (LANE, 1992). Nenhum direito e sem religiosidade.

Na cultura grega, especialmente na espartana, os indivíduos com deficiências não eram tolerados. A filosofia grega justificava tais atos cometidos contra os deficientes postulando que estas criaturas não eram humanas, mas um tipo de monstro pertencente a outras espécies. (...) Na Idade Média, os portadores de deficiências foram considerados como produto da união entre uma mulher e o Demônio. (SCHWARTZMAN, 1999, p. 3-4).

Na civilização grega e romana, o conceito de belo, perfeição e altas habilidades eram parâmetros para a educação e para a ascensão ou exclusão social. Vários filósofos acreditavam que o pensamento seria concebido através de palavras faladas. Aristóteles, por exemplo, é acusado como responsável por haver mantido os surdos excluídos por 2000 anos. Por acreditar que o ouvido seria o órgão através do qual se educa e que a audição seria o sentido que mais favorece a inteligência humana. (FERREIRA, 1987).
Na antiguidade, encontram-se os escritos de Platô “Cratylus”, citados por Levinson (apud Ferreira, 1987) como diálogo entre Sócrates e Hermógenes que atestam a existência de um sistema alternativo de linguagem, como o uso de sinais pelos deficientes auditivos com o objetivo de educação.

Diferentes práticas pedagógicas envolvendo os sujeitos surdos apresentam uma série de limitações, e esses sujeitos, ao final da escolarização básica, não são capazes de ler e escrever satisfatoriamente ou ter um domínio adequado dos conteúdos acadêmicos. Esses problemas têm sido abordados por uma série de autores que, preocupados com a realidade escolar do surdo no Brasil, procuram identificar tais problemas e apontar caminhos possíveis para a prática pedagógica (FERREIRA, 1987, p. 11). 

De acordo com Donald Moores, (apud Ferreira, 1987) apresenta em um trabalho de pesquisa (excelente para compreender a temática) sobre história da Educação de Surdos, com uma notável compilação de artigos sobre perspectivas históricas desde os tempos pré-históricos até a década de 80. Nas sociedades meritocráticas não há evidências de qualquer tentativa de inclusão, (Egito e a Mesopotâmia) há premiação das altas habilidades, pouca atenção à educação em deficiência, e não há atitude de demonstração de tolerância e caridade.

2.2 Na perspectiva da Idade Média
Na era do poder religioso da Idade Média, proibia deficientes de receber a comunhão porque eram incapazes de confessar os pecados e havia sanções bíblicas contra o casamento pessoas surdas. Neste período compreendido entre a queda do Império Romano (476 d. C) e a queda de Granada em 1492, a Europa foi dominada pela cultura árabe pela falta de referências por motivo da queima de livros muçulmanos ocorrida em 1499.  E não são encontrados relatos sobre a educação de deficientes, já que os valores culturais relacionados à história e à religião eram transmitidos principalmente pela oralidade. Não havia acesso ou participação na vida religiosa. Observa-se que deficiências com vínculos negativos e conceitos religiosos como culpa, vergonha e pecado. Conforme afirma Santos 2000:

Nas tentativas iniciais de educar o surdo, além da atenção dada à fala, a língua escrita também desempenhava papel fundamental. Os alfabetos digitais eram amplamente utilizados. Eles eram inventados pelos próprios professores, porque se argumentava que se o surdo não podia ouvir a língua falada, então ele podia lê-la com os olhos. Falava-se da capacidade do surdo em correlacionar as palavras escritas com os conceitos diretamente, sem necessitar da fala. Muitos professores de surdos iniciavam o ensinamento de seus alunos através da leitura-escrita e, partindo daí, instrumentalizavam-se diferentes técnicas para desenvolver outras habilidades, tais como leitura labial e articulação das palavras (SANTOS, 2000, p. 32).

2.3 A contribuição da Espanha
Encontra-se na Espanha os registros do monge Beneditino Pedro Ponce de Leon (1520-1584), com sucesso na educação dos irmãos Francisco e Pedro Velasco, surdos e aristocratas. De Leon ensinou no mosteiro de Valladolid Francisco a ler escrever e falar, possibilitando-lhe a herança e o título de Marquês de Berlanger. E, a Pedro os ensinamentos de história, espanhol e latim. Em reconhecimento, recebeu do Papa o direito de se tornar padre. Pouco se sabe sobre a metodologia usada por Leon. (SANTOS, 2000).
Outro professor espanhol de renome é Ivan Pablo Banet que inicia em 1613, a educação de Dom Luís de Velasco, através de um alfabeto manual muito similar do atual existente para Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Dava grande importância à intervenção precoce e ao provimento de um ambiente linguístico favorável. Defendia o uso de alfabeto manual por todos os familiares da criança surda, a educação de Dom Luís foi de tal forma extraordinária que foi nomeado Marquês de Frenzo pelo rei Henrique IV (SANTOS 2000).

É no início do século XVI que se começa a admitir que os surdos podem aprender através de procedimentos pedagógicos sem que haja interferências sobrenaturais. Surgem relatos de diversos pedagogos que se dispuseram a trabalhar com surdos, apresentando diferentes resultados obtidos com essa prática pedagógica. O propósito da educação dos surdos, então, era que estes pudessem desenvolver seu pensamento, adquirir conhecimentos e se comunicar com o mundo ouvinte. Para tal, procurava-se ensiná-los a falar e a compreender a língua falada, mas a fala era considerada uma estratégia, em meio a outras, de se alcançar tais objetivos (SANTOS, 2000, p. 29)

2.4 A participação dos monges Franceses
No século XVIII, encontram-se na França dois eminentes professores de surdo Jacob Rodrigues Pereira (1712-1789). Pereira iniciou sua prática educativa com sua irmã surda e posteriormente com uma adolescente de 16 anos, d’Azy d’Etavigny. Em 1745 a Academia Francesa de Ciência reconhece o grande progresso alcançado por Pereira. Embora não tenha ensinado outras pessoas com deficiência. Esse trabalho influenciou, mais tarde, outros educadores como o Doutor Jean Itard, responsável pelo clássico trabalho com Victor, o “garoto selvagem” (SANTOS 2000). Começa com monges, mas sem religiosidade.
O monge L’Epreé inicia a educação religiosa de duas irmãs com deficiência auditiva por meio da língua de sinais. Acreditava que esta modalidade de comunicação fosse o vínculo natural de aquisição de conhecimentos e de comunicação por essa deficiência. Criou o que denomina “sinais metódicos” como mecanismo suplementar à língua de sinais natural da comunidade, proporcionando o surgimento da primeira versão da Língua Francesa para o Francês sinalizado. Os sinais metódicos tentaram traduzir para a língua de sinais os elementos sintáticos e morfológicos da língua francesa. L’Epeé sofreu severas críticas principalmente dos educadores oralistas, dentre eles as críticas do alemão Heinicke (SANTOS 2000).

2.4 As críticas da Alemanha: Heinicke e L’ Epée
O método alemão, desenvolvido principalmente por Sammuel Heinicke (1729-1784), na Escola de Surdos de Leipzig em 1778, consistia em abordagem oralista. Em carta escrita a L’Epée ele relata: “meus alunos surdos são ensinados por meio de um processo fácil e lento em sua língua pátria e línguas estrangeiras através da voz clara e com distintas entonações para a habitação e compreensão”. Garret, no entanto, afirma que embora Heinicke se opusesse ao uso de sinais “metódicos”, era tolerante com relação à língua de sinais natural e o alfabeto manual. Por sua posição adversa à de L’Epreé, pode-se perceber o início da discussão em voga entre defensores da comunicação total e do bilinguismo diglóssico (MAZZOTA 2000).


2.5 A participação Americana
Entre os séculos XIX e XX, nos Estados Unidos continuam as divergências, entre Edwared Miner Gallaudet[†] (1837-1917) e Alexander Graham Bell (1847-1922). Gallaudet e Bell interessaram-se pela educação e desenvolveram atividades e metodologias diferenciadas a ponto de Gallaudet ter se tornado presidente aos 27 anos de idade da primeira universidade para surdos nos EUA, denominada Gallaudet College, em homenagem a seu pai. E, Graham Bell, à idade de 29 anos recebeu a patente do telefone (FERNANDES, 1998).
 Gallaudet College continua sendo das mais prestigiadas instituições mundiais de ensino de surdos, onde a Língua de sinais encontra sua maior defesa tanto nas formas bimodiais (comunicação total) quanto no diglóssica (bilinguismo). Pro sua vez Graham Bell iniciou suas atividades em Londres, em 1868, ensinando uma metodologia desenvolvida por seu pai e denominada “fala visível” que vem contribuir com a inclusão das LIBRAS de hoje. (FERNANDES, 1998).


19 de nov. de 2010

ANTOLOGIA CONTISTAS DO MEIO DO MUNDO

1- Gilberto Pinheiro e Paulo Tarso
2- Ângela Nunes e Wilson Carvalho
3-José Maria, João Barbosa, Mary Paes e Manoel Bispo
4- (foto maior): Jonas Teles, Manoel Bispo, João Barbosa, Ângela Nunes, Gilberto Pinheiro,
José Maria, Paulo Tarso Barros, Alcinéa Cavalcante e Ricardo Pontes

1- Alcinéa Cavalcante
2 - César Bernardo e GIlberto Pinheiro
3- Ricaro Pontes e Ângela Nunes
4 - Sânzia Brito e José Pastana






LANÇAMENTO

  • DIA 26 de novembro de 2010
  • LOCAL: Teatro das Bacabeiras
  • HORA: 16h

A ideia principal do projeto é a publicação de várias antologias literárias de poemas, contos e crônicas tendo em vista a enorme dificuldade que alguns autores têm de conseguir publicar livros individualmente. Primeiro, pelo alto custo; segundo, pela falta de patrocínio, a precária distribuição e divulgação. Já uma antologia reúne muitos autores, e cada um já trabalha no mesmo sentido, ou seja, a somatória de esforços é canalizada com um só objetivo: a divulgação da obra.


Em 2009 houve o lançamento da primeira antologia, que reuniu 16 poetas contemporâneos e teve sua apresentação assinada pelo professor Manoel Azevedo, da Unifap.

Neste segundo volume, são reunidos 28 contos de 17 autores, dentre os quais o poeta e jornalista Alcy Araújo. A coordenação e organização do projeto ficou sob a responsabilidade de Manoel Bispo Corrêa, poeta, artista plástico e compositor de larga experiência nas artes e cultura do Amapá, que atualmente é o líder do Grupo Universo. Esta se constitui em uma obra que é um referencial na historiografia literária, pois trata-se da primeira antologia de contos a ser publicada no Amapá.

Ainda estão previstas os lançamentos de mais duas coletâneas: uma de crônicas e mais uma de poemas, o que deverá acontecer em 2011, dando oportunidades a autores que desejam mostrar suas produções.

Atualmente, várias universidades e escolas de nível médio estudam os textos de autores locais, cuja inserção no currículo está sendo feita gradativamente, pois ainda é muito pequena a produção local. Mas, com esse estímulo e o crescente interesse escolar, provavelmente dentro de pouco tempo teremos muitas obras literárias relevantes circulando aqui no Amapá. A cada vestibular da Unifap e UEAP, pelo menos 3 ou 4 autores são indicados como leitura obrigatória, o que acaba gerando uma correria em busca desses textos que nem sempre estão disponíveis.





Autores que participam da Antologia:
Alcy Araújo
Osvaldo Simões
César Bernardo
Manoel Bispo
Fernando Canto
Sânzia Brito
José Pastana
Carla Nobre
João Barbosa
Paulo Tarso Barros
Ricardo Pontes
José Maria
Jonas Teles
Gilberto Pinheiro
Joseli Dias
Ângela Nunes