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29 de dez de 2012

ANO-NOVO E A ÚLTIMA FOLHINHA


OUTRO ANO-NOVO


Mais um ano que abre seus braços
Para nos recolher no seu regaço; 
Mais uma vez vamos sair por aí
Trasladando em busca de paz!

Mais uma vez cantaremos
Na aurora de um novo ano
A poesia que, talvez ninguém mais cante
Nos salmos divinais dos mudos!

Mais um ano de realizações,
De esperanças, desenganos,
Apreensões, comprovações!

Mais um ano em que não queríamos ver
Nossos irmãos mendigando
Matando, maltratando, roubando, escravizando!...

Mais um ano em que se espera a paz,
Mais um ano em que se busca luz,
Mais um ano de amor para as crianças,
Ou simplesmente mais um ano!

Mais uma vez estenderemos nossos braços
Em busca  de outros braços
E nossas mãos estendidas ficarão
À espera de outras mãos!


(Luiz Alberto Costa Guedes)

Luiz Alberto Costa Guedes, macapaense, integrante da Associação Amapaense de Escritores-APES, poeta, sociólogo e professor, nasceu a 30 de novembro de 1942. É o autor de Décalogo Poético (1979) e Transparência (poemas, 1984).
Na primeira foto pequena à direita:
Paulo Tarso, Professor Munhoz, Luiz Alberto e César Bernardo
em evento literário na Fortaleza de S. José - 2008
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ARRANCANDO A ÚLTIMA FOLHINHA


            Há algum tempo os calendários possuíam folhas destacáveis que eram retiradas a cada dia que passava. E quando restava a última folhinha, a sensação de quem a arrancaria era cercada de muitas expectativas. Agradecer pelos bons resultados alcançados? Retirar logo e afastar o ano cheio de adversidades? Ou depositar todas as esperanças no próximo ano, torcendo para que tudo saia conforme o planejado? Mas hoje, com todos os avanços tecnológicos, isso só permanece na mente das pessoas - tudo é eletrônico, digital... futurista!
            Os tempos mudaram, mas as tradições permaneceram: amuletos, crenças e rituais ainda guiam a passagem de ano da maioria das pessoas. Do hábito de se vestir de branco às oferendas para as entidades poderosas. A verdade é que pouquíssimos resistem ao fato de que o não conseguido acontecerá no ano que está chegando. Da mesma forma, a fé de que o sucesso será repetido com mais intensidade. Mais ainda, tudo de ruim que poderia acontecer já passou - daqui pra frente é só alegria. Haveria uma data mais apropriada para tudo isso?
            A magia desta data transcende a racionalidade. Imaginar que tudo mudará pelo simples encerramento de um ano e o início de outro, beira a ingenuidade. Mas isso faz parte do comportamento humano e já se internalizou nas pessoas do mundo todo. Nessas horas, comprova-se que os sonhos e a esperança ainda mantêm o espírito de luta da humanidade. Provavelmente é um dia em que todos apostam em algo, até mesmo os indiferentes convictos, sem precisar pagar absolutamente nada por isso - e não importa o local onde estarão!
            Mas a vida impõe situações diferentes aos seres humanos.  Portanto, há os que desejariam que este ano não acabasse nunca, movidos pelos inúmeros acontecimentos positivos; mas, também, existem os que pedem clamorosamente pelo fim de tantas dificuldades e tragédias pessoais vividas no período. Entre os dois extremos, como sempre, há os que gostariam de mais alguns dias, um tempinho que fosse, já que chegaram tão perto dos seus objetivos. No geral, entretanto, a alternância de bons e maus momentos foi aceitável.
            Como pode um simples gesto ou uma passagem de um dia para o outro ser carregado de tanta esperança? Por que depositar a realização de todos os sonhos e desejos na última volta do ponteiro dos segundos do relógio? Inacreditável como um simples momento pode ter um efeito terapêutico capaz de curar todos os males da humanidade, renovar a disposição para fazer acontecer, automotivar de forma incontrolável, devolver a autoconfiança perdida... pelo menos por alguns instantes. Daí não ser incompreensível isso se chamar de "virada do ano".
          Normalmente o dia de balanço nos estabelecimentos comerciais exibe um anúncio onde se lê "fechado para balanço". Com as pessoas, ao contrário, este dia especial é totalmente acessível, espontâneo e franqueado. O que menos importa é o resultado porque o ponto da virada está logo ali - a chegada do Ano-Novo - para que as mudanças cheguem trazendo alegria, saúde, felicidade, prosperidade e, por que não, quem sabe, a companhia que sempre procurou. Então, dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Feliz Ano-Novo a todos!

José Roberto T. Ichihara é engenheiro da Petrobras, cronista premiado e com mais de 300 textos 
publicados no site

José Roberto T. Ichihara em visita à
Biblioteca Pública Elcy Lacerda - Macapá-AP
Dezembro/2012


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